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Após reportagem, cão mais antigo na fila da adoção ganha família

Gabriela Jacuboski

| Edição de 12 de março de 2026 | Atualizado em 12 de março de 2026

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Após mais de quatro anos à espera de um lar, o cachorro Vôzinho, um SRD que era o animal há mais tempo abrigado no Centro Municipal de Saúde Animal (Cemsa) de Apucarana, finalmente foi adotado. Com mais de dez anos de idade, ele ganhou uma nova casa após duas leitoras se sensibilizarem com uma reportagem publicada pela Tribuna/TNOnline.

As novas tutoras são a analista de comércio exterior Sara Wauters, 47, e a fiscal tributária Sandra Valentina da Silva, 61. Segundo Sara, a decisão de adotar surgiu depois da leitura da matéria. “Nós já queríamos adotar um cachorro, mas não temos muito espaço em casa para um animal muito ativo. Então pensei que poderia ser a nossa chance de dar um final de vida melhor para ele”, afirmou.

Para ela, sempre existe um animal que combina com cada família, e muitos deles podem ser encontrados no Cemsa. “O apelo é para que as pessoas tenham um olhar diferente, tanto para os animais quanto para as pessoas que, às vezes, não são tão afortunadas na vida. A gente percebe muita tristeza nesse meio”, disse.

A saída de Vôzinho do abrigo também foi marcada por despedidas. Um dos momentos mais emocionantes foi para o funcionário do Cemsa Marcelo Aparecido Pontes, 42, que ajudava a cuidar do animal. “Fiquei triste de vê-lo ir embora, mas ao mesmo tempo feliz. Ele estava aqui há muito tempo e agora vai ter um lugar só dele”, comentou.

De acordo com o biólogo Fernando Felipe, coordenador do Cemsa e também conhecido como Repórter Selvagem, adoções como essa são uma exceção. “Normalmente, as pessoas que vêm aqui querem filhote, animais pequenos, para acostumar com a família. Os mais velhos, com problemas de saúde, já são mais difíceis porque a pessoa não quer um bicho que não dê trabalho para ela”, explicou.

Adaptação ao novo lar

Após tanto tempo vivendo em um mesmo ambiente, a mudança exigiu adaptação, paciência e muito respeito. Logo no primeiro dia no seu novo lar, Vôzinho teve que passar uns dias internado em uma clínica veterinária para tratar de problemas de saúde. Recuperado, ele enfim pôde ir para casa, conviver com as novas tutoras e com mais sete gatinhos. “Eles que têm medo dele, mas ele nem liga para os gatos”, acrescentou Sara.

A rotina inclui caminhadas, massagens com óleos essenciais e muito amor. “Ele é um querido, um amorzão, bonzinho de tudo. É dengoso, pede carinho, eu começo a conversar mole, ele já vem. O intuito, ao adotá-lo, foi proporcionar uma vida mais feliz para ele, mas, na verdade, ele que tá proporcionando uma vida mais feliz para gente”, contou.