Os efeitos da crise que atingiu a economia brasileira com mais força a partir de 2015 são sentidos na Justiça do Trabalho de Arapongas até hoje. Apesar do número de novas ações trabalhistas estar em um movimento de queda, a maioria dos processos continua em tramitação. Em consequência disso, a agenda de audiências está cheia por pelo menos os próximos oito meses. Desde o início da crise, mais de 6 mil processos foram iniciados na Justiça do Trabalho araponguense.
O número de ações trabalhistas impetradas na Vara do Trabalho de Arapongas vem caindo. Em 2015, foram 2.680 novas ações. No ano seguinte, o número foi de 2.448, queda de 8,7%. Neste primeiro semestre de 2017, o número de ações ficou em 902. Caso este ritmo se mantenha, o ano deve fechar com cerca de 1,8 mil novas ações trabalhistas, o que resultaria em uma redução aproximada de 26%. Desde 2015, 6.030 processos deram entrada na Vara do Trabalho de Arapongas.
Advogada em um escritório de Arapongas especializado em ações trabalhistas, Joyce Ane da Silva explica que a redução de ações acontece por conta da normalização do mercado de trabalho. “Por conta da crise econômica, muitas indústrias de Arapongas, principalmente no setor moveleiro, cortaram postos de trabalho, fecharam setores e até mesmo encerraram as atividades. Com isso, de 2015 até mais ou menos a metade de 2016, houve uma ‘enxurrada’ de processos trabalhistas. A partir do final de 2016, o número de ações começou a cair, voltando ao patamar registrado no período anterior à crise”.
Segundo ela, apesar da redução nas ações, os efeitos ainda são sentidos até hoje. “A tramitação desses processos ainda ocorre. Um dos principais reflexos disso é que temos audiências de instrução marcadas até fevereiro do próximo ano. Ou seja, os efeitos da crise, pelo menos na Justiça trabalhista, ainda serão sentidos por algum tempo”, afirma.
Também advogado trabalhista de Arapongas, Alexander Lima aponta ainda que os processos que envolvem esta esfera não são simples. “Houve demissões em massa por conta da crise e agora o ritmo de processos está voltando ao normal. Aproximadamente 90% das ações que iniciamos nesse período envolvem o não pagamento de horas extras. Algumas empresas acabam manipulando o relógio-ponto e o trabalhador precisa provar que ele realmente cumpriu a hora-extra, o que se torna muito complicado”.
A maioria das ações em Arapongas envolve o setor moveleiro. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (STICMA), Carlos Roberto da Cunha diz que a maioria das ações trabalhistas iniciadas através do sindicato envolvem o não pagamento da rescisão contratual. Ele acredita que as demissões podem ter chegado a um nível de saturação.
“Acredito que quem era para ser demitido, já foi. Agora, o ritmo de demissões caiu, o que se reflete em um menor número de ações trabalhistas. O problema é que não vemos grande expectativa de melhora. Embora tradicionalmente o mercado moveleiro registre aumento de vendas no final do ano, fica difícil prever uma recuperação”, afirma