Equipes da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), desde o início do ano realizam ações de controle e prevenção da raiva dos herbívoros, em bovinos, equídeos, ovinos e caprinos. As atividades são executadas na regional da Seab de Ivaiporã, que tem 22 municípios na área de abrangência. O trabalho consiste na captura de morcegos hematófagos, principal transmissor da doença na zona rural, visitas aos abrigos e orientações aos produtores rurais.
De acordo com a médica veterinária da Adapar, Maria Andreolla, foram registrados neste ano cinco focos de raiva na regional. “Os focos foram em março e abril no município de Pitanga. Quando há foco em alguma propriedade, nós fazemos um trabalho no entorno de 12 quilômetros e pedimos para a população vacinar todos os animais contra raiva. Neste caso também foram abrangidas algumas áreas dos municípios de Nova Tebas e Santa Maria do Oeste”. Após o trabalho executado pela Adapar, a doença foi controlada e até agora não foi registrado mais nenhum caso.
Segundo Maria Andreolla, a raiva herbívora é uma doença grave e fatal, causada por um vírus que ataca o sistema nervoso dos rebanhos. Entre os sintomas da doença, estão a paralisia dos membros, salivação abundante e dificuldade de ingestão do pasto, causando a morte dos animais de seis a oito dias após o início deste quadro. “A transmissão é feita principalmente pela mordedura de morcegos hematófagos [Desmodus Rotundus]. Esses morcegos se alimentam exclusivamente de sangue”, explica Maria Andreolla.
O controle populacional da espécie de morcegos hematófagos na regional de Ivaiporã é executado anualmente em 79 abrigos catalogados. O trabalho é realizado através de capturas noturnas e diurnas, com a coleta de material biológico para diagnóstico laboratorial. O controle populacional exige uma ação conjunta entre o pecuarista e a Adapar.
Juliana Seixas Garcia Pelloso, médica veterinária da Adapar, explica que o animal agredido apresenta um pequeno ferimento com uma marca de sangue escorrido. O produtor rural, ao verificar que existência de animais sugados ou com sinais nervosos, em uma determinada propriedade, a primeira providência a tomar, é fazer a notificação para Adapar. “É importante não tentar capturar um morcego ou ter contato direto com a saliva dos animais que apresentam os sintomas da doença”.
CONTROLE SELETIVO
Ainda segundo a veterinária, atualmente, os métodos utilizados para o controle da população de morcegos hematófagos são seletivos, isto é, eliminam apenas os que se alimentam de sangue de mamíferos, não interferindo com os outros não-hematófagos. A base desta metodologia é o uso de substâncias anti-coagulante, que provocam hemorragias nos morcegos. “O controle tem que ser seletivo e apropriado, para que não ocorra à morte de morcegos não-hematófagos, como os frugívoros, insetívoros e ictiófagos responsáveis pela manutenção do ecossistema”, expõe Juliana.
A captura é feita em redes apropriadas, e depois de identificados, os morcegos recebem uma pasta com anticoagulante que é passada nas costas, ventre, posteriormente soltos. Como os morcegos têm uma vida social muito comum, pois vivem em grupos de famílias, eles se lambem, ingerindo a pasta, iniciando assim um processo de hemorragia que os leva à morte, em um curto espaço de tempo.