A prévia da inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) voltou a acelerar este mês, ao subir 0,14 ponto percentual e passar de 0,40% para 0,54% entre junho e julho deste ano. Mais uma vez os preços dos alimentos continuam pressionando a inflação, chegando a subir 0,37%. Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 8,93% nos últimos doze meses. A alta dos alimentos não atrapalha apenas a vida das donas de casa. Proprietários de restaurantes também precisam encontrar formas de ‘driblar’ os altos preços.
Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam que o total acumulado no ano é de 5,19%, bem abaixo dos 6,9% registrados em igual período do ano anterior. Em julho de 2015, a taxa havia sido 0,59%.
Com o objetivo de tentar não aumentar muito os preços, os proprietários de restaurantes em Apucarana buscam alternativas para tentar reduzir o impacto da alta dos alimentos nos preços. “Com o aumento dos alimentos, o jeito é buscar reduzir custos. Uma das principais maneiras é reduzir a conta de energia elétrica. Outras alternativas são readequar o quadro de funcionários e substituir alguns produtos por outros mais em conta, principalmente os do setor de hortifrúti”, explica Moacir Salve, dono de um restaurante.
Segundo ele, o reajuste de preços ficou em pouco menos de 10%. Moacir afirma ainda que também os consumidores têm se adaptado. “Com a crise e com os preços aumentando, vi uma migração do self-service para o prato feito, que é mais em conta”, destaca.
Oziel Drogui, sócio-proprietário de um restaurante de Apucarana, diz que está conseguindo segurar a alta por enquanto. “O aumento, principalmente do feijão, arroz e óleo, dificultou a margem de lucro do restaurante, porque preferimos não subir o preço para manter a clientela”.
Pela falta de tempo, o gerente operacional Marcos Kojicowski e a esposa Simone Cristina Ferreira almoçam três vezes por semana em restaurantes. “Claro que os alimentos subiram bastante mas, pela praticidade, ainda buscamos almoçar fora de casa”, explica Marcos.
O feijão-carioca, cujos preços subiram, em média, 58,06%, foi, isoladamente, o item que exerceu o maior impacto no índice do mês, 0,18 ponto percentual.
Mas não é só o feijão que elevou a inflação. Segundo o IBGE, vários outros alimentos ficaram bem mais caros de um mês para o outro. Este é o caso, por exemplo, do arroz, que teve os preços elevados em 3,36% na média. Outro alimento com participação importante na despesa das famílias, o leite aumentou 15,54%, em média.