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Cultivo de girassol vira opção de renda para produtores da região

Cindy Santos

| Edição de 27 de julho de 2026 | Atualizado em 27 de julho de 2026

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O cultivo do girassol vem ganhando espaço na região de Apucarana como alternativa de renda e opção estratégica para os agricultores. Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), do Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apontam que a área destinada à cultura dobrou neste ano em comparação com a safra anterior, saltando de 120 hectares para 240 hectares.

No ano passado havia registro da cultura apenas em Kaloré. Neste ano, o cultivo também foi implantado em Apucarana e Cambira totalizando três municípios produtores de girassol na região para extração de óleo.Os números totais tendem a ser ainda maiores, pois o relatório atual ainda não inclui a área plantada localizada em Arapongas.

Segundo o técnico do Deral Adriano Nunomura um dos principais atrativos do girassol é a viabilidade financeira, já que apresenta custos de produção mais baixos do que outras opções de safrinha, como o milho e o trigo. A cultura surge como uma solução para janelas de plantio mais arriscadas. “Às vezes o produtor atrasa a colheita da soja e fica tarde para plantar o milho fora da janela do seguro agrícola. Ao mesmo tempo, ele hesita em optar pelo trigo devido ao alto custo de produção. O girassol entra como uma excelente alternativa”, analisa o técnico.

Além da questão financeira, a planta traz benefícios para a lavoura. “Trata-se de uma cultura rústica, tolerante a pragas e doenças, o que reduz a necessidade de aplicações de defensivos, e mais resistente a períodos de estiagem”, salienta.

Outro ponto forte é o impacto positivo no solo. Nunomura explica que o girassol possui um sistema radicular profundo que ajuda na aeração da terra. “Isso é ótimo para o plantio subsequente da soja. O solo fica mais bem estruturado, o que favorece o desenvolvimento das raízes da soja e pode resultar em maior rendimento. É um verdadeiro ‘investimento’ para a principal cultura de verão”, afirma. A planta também apresenta versatilidade para a nutrição animal e alimentação de pássaros.

Apesar da rusticidade e da tolerância à seca, o cultivo exige atenção quanto à temperatura. “O girassol é altamente vulnerável a geadas, fator que causou perdas significativas em lavouras no município de Kaloré no ano passado”, comenta.

Projeto regional prevê colheita de 2 mil toneladas

O cultivo de girassol na região conta com um projeto que soma 1 mil hectares plantados, envolvendo 28 produtores rurais. A iniciativa abrange áreas nos municípios de Apucarana, Arapongas, Rolândia e outros municípios vizinhos, com previsão de colheita total de 2 mil toneladas de grãos.

À frente do projeto, o engenheiro agrônomo e produtor rural Mauro Tribulato é responsável pelo cultivo de 175 hectares, que inclui uma lavoura em Apucarana. De acordo com o profissional, 100% da área plantada é destinada à extração de óleo vegetal, e a estimativa de produtividade média é de 40 sacas por hectare.

“Somos pioneiros no plantio no Paraná. O cultivo é mais uma opção de inverno e tende a ser mais rentável que o milho de inverno, mas isso vai depender da produtividade e do investimento”, afirma Tribulato.

Fomento impulsiona diversificação no campo

O avanço da cultura é impulsionado por ações de fomento. À frente de uma empresa de insumos agrícolas em Rolândia, o empresário Josimar Augusto Marchezini buscou a alternativa ao lado de um sócio e de um cliente para oferecer opções de rotação de cultura diante dos riscos do milho safrinha e do trigo. Atualmente, a iniciativa apoia a cultura em Apucarana, Arapongas e outros cinco municípios da região. A produção já possui contrato garantido de compra para o mercado de grãos, que registra alta procura. A expectativa do setor é de expansão para as próximas safras. “Começamos no ano passado, este ano já aumentou bastante e no ano que vem vai aumentar ainda mais. Se performar da forma que estamos esperando, é mais rentável que o trigo e que o milho plantado a partir de março”, destaca Marchezini.