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Alta do Diesel põe em alerta setor e caminhoneiros falam em paralisação

DA REDAÇÃO

| Edição de 12 de março de 2022 | Atualizado em 17 de março de 2022

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O reajuste de quase 25% no preço do diesel deve provocar uma reação em cadeia junto a empresas da área de logística, donos de postos de combustíveis e motoristas que trabalham no transporte de cargas. Com os reajustes, em Apucarana, alguns postos comercializavam o diesel a R$ 6,99 o litro nesta sexta-feira (11). 

A Confederação Nacional de Transportadores Autônomos (CNTA), já fala abertamente na possibilidade de uma greve nacional de caminhoneiros. A instituição destaca que já havia uma defasagem nos preços pagos pelo frete, na casa de 25%. Com o novo reajuste nos preços dos combustíveis, o reajuste dos fretes pretendidos pelos caminhoneiros fica praticamente inviabilizado, segundo a entidade.
Localmente, a situação não é diferente. “Esses preços estão absurdos. Estamos todos chocados e parece que o governo perdeu completamente as rédeas. E esse aumento reflete em tudo. Sem dúvida, isso vai gerar uma greve”, afirma o presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Apucarana (SINCVRAAP), Ronaldo Santana da Silva.
Independente de greve oficial da categoria, muitos caminhoneiros autônomos já estão simplesmente se negando a fazer fretes terceirizados para as empresas transportadoras, caso não haja reajuste dos valores pagos por quilômetro rodado. 
É o que relata, por exemplo, o empresário Luis Bertoli, de Apucarana, proprietário da Trans Apucarana. Bertoli informa que mesmo tendo uma frota própria de aproximadamente 80 caminhões, a empresa usa muitos motoristas terceirizados. “E eles não querem mais fazer os fretes sem reajuste. Eles querem o repasse do aumento do diesel, de 25%, no valor do frete que pagamos a eles. Mas nós não temos como fazer essa repasse integral no frete porque não conseguimos colocar isso no valor que cobramos pelo frete de nossos clientes”, explica. 
O aumento dos combustíveis deve impactar muito no negócio, que já vem de dois anos difíceis, por conta da pandemia, segundo o empresário. Bertoli não descarta ter que reduzir os quadros de funcionários em pouco tempo se a conjuntura não melhorar. “Em 2020, no início da pandemia, tudo parou. Tive que dispensar 80 funcionários. Depois, no meio do ano, quando saiu aquele abono de R$ 600, a economia deu uma reagida e até recontratei alguns. Em 2021 o mercado oscilou muito entre bons e maus momentos. Por enquanto, vamos segurando como dá”.