Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Júri de Apucarana condenou ontem Célia Forte, 50 anos, Bruno José da Costa, 29 anos, e Bruno Cezar Albino, 23 anos, pela morte de Jéssica Carline Ananias, assassinada com mais de 30 facadas em maio de 2013 aos 21 anos de idade. A sentença foi proferida depois das 21h30, depois de um dia inteiro de debates marcados pelo apelo emocional entre defesa e promotoria. O corpo de jurados – formado por 4 mulheres e três homens - não acatou a tese da defesa de Célia, única ré que alegava inocência no processo.
O autor das facadas e réu confesso, Bruno José da Costa, que era marido da vítima, recebeu pena de 23 anos e 7 dias. Descontando o período que ele permaneceu preso, a pena de reclusão a ser cumprida fica em 19 anos, 2 meses e sete dias. Ele era acusado de homicídio qualificado e fraude processual. Já a mãe de Jéssica, Célia Forte, que mantinha um relacionamento com o genro, foi condenada a uma pena de 23 anos e 3 meses. Como a ré também está presa, a pena a cumprir é de 19 anos, 5 meses e 15 dias. Ambos foram reencaminhados para a PEL 2 e Minipresídio de Apucarana, respectivamente. Dezenas de pessoas esperaram a saída dos réus do Fórum. Segundo o advogado de Célia, José Teodoro Alves, a defesa vai recorrer da decisão. Já o advogado de Bruno Costa, Heitor Possani, afirmou que ainda vai avaliar a sentença com seu cliente.
Bruno Cezar Albino, amigo de Bruno, e que admitiu ter se livrado da arma e roupas do acusado, além de levar o carro do casal do local do crime para ajudar a forjar um latrocínio, recebeu pena de 10 anos pelos crimes de homicídio e fraude processual. Contudo, como o réu também estava preso, a fixação final da pena é de 6 anos e 2 meses, de modo que a pena passa a ser cumprida em regime semiaberto. O juiz Osvaldo Soares Neto, que presidiu o Tribunal do Júri, concedeu ainda o direito de apelar em liberdade.
Ao proferir a sentença, o juiz apontou como elementos agravantes a relação familiar entre os envolvidos. “Aqueles que deveriam zelar pela vida da vítima decidiram ceifá-la”, disse.
Após ouvidas testemunhas e inquirição dos réus anteontem – processo que se estendeu até as 22 horas de terça-feira – o julgamento foi retomado na manhã de ontem com auditório lotado e muitos expectadores nas laterais das galerias.
EMBATE
O embate entre a defesa e acusação se estendeu até as 19h40 e foi marcado pelas tentativas da defesa de Bruno José da Costa e de Bruno Cezar Albino de reduzir as qualificadoras da acusação como estratégia de redução de pena. Já a defesa de Célia Forte, que foi pela tese da inocência da ré, arguiu que o processo não trouxe provas contundentes contra ela. “Se a Jéssica pudesse falar, diria: não condene a minha mãe. E o que está em jogo não é o relacionamento deles”, comentou.
A promotoria também usou recurso semelhante. Com uma foto de Jéssica no telão, o promotor Eduardo Cabrini leu uma carta como se o documento tivesse sido escrito pela vítima. “A família dá vítima não chora a sua perda. Não tem ninguém para chorar pela Jéssica hoje”, finalizou o promotor, que também citou a filha do casal, que na época do crime tinha 4 anos. (COM REPORTAGEM VANUZA BORGES)
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Relembre
o caso
Jéssica Ananias foi assassinada a facadas na madrugada de 9 de maio de 2013. A polícia foi chamada ao local – a casa onde o casal morava, no bairro da Igrejinha – pelo marido, Bruno José da Costa. Inicialmente, ele alegou à polícia que tinha sido vítima de um assalto e que bandidos tinham o amarrado, matado sua esposa e levado o carro e outros pertencem da família.
A polícia desconfiou da versão e Bruno acabou admitindo ter sido o autor do crime. A participação de Bruno Albino na eliminação das provas foi descoberta na sequência e os dois foram presos.
Durante a investigação, a Polícia Civil descobriu o relacionamento entre Célia e Bruno e as suspeitas de envolvimento dela na morte culminaram com sua prisão, 15 dias depois do crime. Segundo a acusação, o assassinato foi arquitetado pelos amantes, que planejavam uma vida em comum após o crime.