Agentes da Seção de Operações Especiais (SOE), do Departamento de Execução Penal (Depen) de Londrina, realizaram mais uma vez operação bate grade na Cadeia da 54ª Delegacia Regional de Polícia de Ivaiporã. Durante a operação os agentes encontraram um novo túnel em quadrante externo da carceragem principal. Em menos de 10 dias, a unidade registrou duas fugas e um princípio de rebelião.
Na cela onde o novo túnel foi descoberto havia oito detentos, um deles José Marcelino Miguel, fugitivo recapturado da última fuga. Ainda ontem, Trindade e outro interno, Ricardo Ferreira da Silva, o Ricardinho, principais articuladores na escavação de túneis foram transferidos para o Mini Presídio de Apucarana.
Após a entrada a carceragem principal, os agentes de cadeia realizaram a remoção de terra que estava armazenada em sacos. Após vistoria em toda a carceragem, nenhuma nova escavação foi encontrada. Foi então, que o delegado Gustavo Dante, solicitou ao SOE a revista nos quadrantes do lado externo da carceragem. Em uma das celas foi encontrado um buraco no concreto do piso que seria usado para construção de um novo túnel.
“Desde a última fuga, nós reforçamos a segurança e vínhamos monitorando. Era possível ouvir os barulhos durante a madrugada, só não conseguíamos identificar de onde”, relata o delegado Gustavo Dante.
Em apenas nove dias, a Cadeia de Ivaiporã que tem capacidade para apenas 32 internos e se encontra superlotada, com 140 presos, sofreu duas fugas e um início de rebelião. O delegado Gustavo Dante, diz que todos os procedimentos estão sendo realizado pela Polícia Civil para evitar novas fugas. “Já comunicamos o Judiciário da Comarca e as autoridades de segurança do Estado e aguardamos providências”.
Diretores do Conselho Municipal de Segurança acompanharam a vistoria do SOE. Segundo o presidente do Conseg Jair Antônio Burato é necessário e urgente a transferência de todos os presos condenados da Cadeia de Ivaiporã. “Para evitar novas fugas é necessário essas transferências, pois são eles que estão tumultuando. A carceragem foi construída em 1976 e necessita de reforma, com nova concretagem do piso e reforço das paredes”, relata Burato.
Ainda conforme Burato, caso isso não aconteça, há risco de fuga em massa e até mesmo de uma tragédia dentro da carceragem. “É uma cadeia com mais de 40 anos de uso, e se tornou extremamente desumana e com risco a vida de quem aqui trabalha e dos próprios detentos, já que toda a fiação elétrica está exposta e o piso é um verdadeiro queijo suíço”, completa Burato.