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Aposentados já somam 21,5% na região

Renan Vallim e Ivan Maldonado

| Edição de 31 de março de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Os aposentados e pensionistas movimentam pelo menos R$ 1,277 bilhão por ano na região. Ao todo, são mais de 101,6 mil pessoas que formam este grupo nos 26 municípios do Vale do Ivaí, mais Arapongas e Manoel Ribas. Eles equivalem a aproximadamente 21,56% da população total e devem avançar ainda mais neste percentual nos próximos anos. Economista alerta para dependência de alguns municípios com relação a esta verba e necessidade de políticas públicas que contemplem indivíduos da terceira idade, grande maioria entre beneficiários.
Os dados são do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), correspondendo ao ano de 2017. A média da região é mais alta do que a do Brasil, que é de 14,2%.
As 28 cidades da região pesquisadas somam uma população estimada de 471,5 mil pessoas, aproximadamente. Tendo em vista que cada um dos mais de 101,6 mil beneficiários recebe pelo menos um salário mínimo, a movimentação anual de benefícios passa dos R$ 1,277 bilhão, contando os 12 meses mais o 13º dos aposentados.
Com 4.418 benefícios sendo pagos, São João do Ivaí é o município que concentra o maior índice de beneficiários: 40.15%. Para o prefeito Fábio Hidek Miura (PSC), o número reflete a qualidade de vida das pequenas cidades. “Muitas pessoas, quando jovens, saem para trabalhar ou estudar e, quando aposentados e estabilizados, retornam para as cidades menores buscando melhor qualidade de vida. Para atendê-los, temos a feira noturna, o bailão, várias academias da terceira idade e saúde de boa qualidade, o que dá uma expectativa de vida maior. Nossa cidade vive da agricultura e da renda dos aposentados”, diz ele.
Em Jardim Alegre, 33,68% da população recebe o benefício, um total 4.048 pessoas. Em Ivaiporã, os 10.670 beneficiários da Previdência Social equivalem a 32,61% da população total. 
Para o prefeito de Ivaiporã, Miguel Roberto do Amaral (PSDB), estes são índices que só tendem a crescer. “No Brasil, em 2050, a previsão é que o número de aposentados passe de 60%. Pensando nisso, já desenvolvemos atividades, como caminhadas da terceira idade e bailes, além de estarmos planejando contratar um geriatra”. Para ele, estes recursos dos aposentados significam renda garantida para os municípios. “Eles com certeza contribuem com o desenvolvimento regional”, afirma.
O economista do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, explica que aposentados e pensionistas são importantes para a economia da região por formarem uma população com renda garantida, que é revertida para o comércio local. “Alguns municípios têm conseguido atrair estas pessoas oferecendo comércio segmentado, saúde para os idosos e lazer, entre outros benefícios, fortalecendo a economia local”, diz.
Para ele, é preciso que o poder público esteja atento a esta população. “Com o aumento da expectativa de vida, esta população vai continuar crescendo. Elas demandam políticas públicas específicas”, destaca.

Trabalho serve
como complemento 
Nem sempre quem se aposenta para de trabalhar. Às vezes, é preciso retornar ao trabalho para complementar a renda. O agricultor aposentado por invalidez José Antônio de Oliveira, de 68 anos, de Ivaiporã, ganha um salário mínimo desde que se aposentou, há seis anos. Para poder complementar a aposentadoria, ele negocia bicicletas e relógios usados. “Tive três derrames e um infarto. Tomo muitos remédios e o dinheiro não dá”, explica Oliveira.
O mesmo acontece com o aposentado João Eugênio da Silva, de 78 anos. “O valor é muito baixo. O que eu ganho com a aposentadoria mal dá para pagar as despesas. Faço de tudo, desde carpir terreno até serviços de encanador”, relata. José Anselmo de Lima, de 92 anos, diz que só consegue viver com o salário mínimo que recebe do INSS porque a mulher com quem convive atualmente também recebe aposentadoria e tem casa própria. “A saúde é pouca e o dinheiro também. O benefício só paga comida e os remédios”.
João Ribeiro, dono de um mercado em Jardim Alegre, destaca a importância dos aposentados para a economia local. “Hoje, as pequenas cidades dependem dessa renda dos aposentados, principalmente em razão do desemprego. No passado, nós tínhamos muito movimento de trabalhadores rurais, mas praticamente isso já não existe mais”, aponta ele.