O Dia da Árvore, data comemorada hoje, marca a chegada da primavera no Hemisfério Sul, ao mesmo tempo que lembra que atitudes simples podem fazer toda a diferença em termos de qualidade de vida. Quer um exemplo? Deixe na calçada em frente de casa, uma área de solo livre para que uma árvore cresça.
E se você não sabe como proceder para colocar mais sombra na sua rua, o engenheiro florestal maringaense e doutor em Geografia, André Furlaneto Sampaio, dá algumas dicas. Para começar, pesquise a espécie. “Caso alguém queira plantar uma árvore, antes é recomendável que veja na prefeitura o plano diretor de arborização e a espécie recomendada para o endereço em questão”, orienta.
Essa atitude, segundo ele, que também atua como consultor e professor no setor ambiental, é essencial, porque em áreas urbanas existem peculiaridades que devem ser observadas e nem toda espécie é indicada. Além do porte, o especialista observa que tem espécies consideradas invasoras. “Muitos acham que toda árvore é benéfica ao meio ambiente, mas trata-se de um engano. As espécies exóticas invasoras causam grandes malefícios”, argumenta.
As espécies exóticas são aquelas originárias de outras regiões, ou seja, não nativas. “Uma vez introduzidas se estabelecem vigorosamente a ponto de ocupar os espaços de forma dominante, diminuindo a biodiversidade. Plantando essas espécies em nossas matas e na arborização urbana favorecemos uma ocupação que diminui a quantidade de vida e a qualidade das florestas nativas”, pontua. Entre essas espécies invasoras, no Paraná, as mais comuns são leucena, jaca, uva-do-japão, alfeneiro, entre outras.
Sobre a melhor época para investir no plantio de uma árvore, apesar do mês comemorativo ser setembro, é o verão, em especial, os meses dezembro, janeiro e fevereiro, o período mais indicado. Entretanto, Sampaio observa que cada espécie crescerá de forma diferente e dependerá das condições do ambiente para ter bom desenvolvimento. “É muito importante regar nos três primeiros meses, dia sim e dia não. Deve ser colocado, no mínimo, um litro de água vagarosamente, de preferência com regador”, complementa.
De acordo com o engenheiro florestal, aumentando a área verde por habitante no município, considerando principalmente o plantio de árvores nativas, ajudará a trazer maior equilíbrio hidrodinâmico nas bacias hidrográficas, além de colaborar para um microclima melhor no município inteiro.
Na área rural, o doutor em Geografia, analisa que as matas protegem a água de rios e nascentes contra a erosão, a contaminação por agrotóxicos, além de permitirem maior permeabilidade do solo e, portanto, melhores condições de fluxo e qualidade de água nas baias hidrográficas. “Onde existe floresta, a água das chuvas cai lentamente para infiltrar-se no solo. Em áreas desmatadas, a água desliza com velocidade, causando erosão e diminuindo drasticamente a infiltração, enchendo velozmente as bacias hidrográficas´”, explica.
Áreas verdes equilibram clima
O engenheiro florestal André Furlaneto Sampaio, de Maringá, observa que estudos recentes apontam que uma única árvore adulta pode evapotranspirar 150 mil litros em um ano, ou seja, uma média de 400 litros de água por dia. “Isso ajuda muito no microclima e no equilíbrio hidrodinâmico da cidade, pois as árvores são ‘máquinas’ de formar nuvens e chuva”, brinca.
O especialista, que é fundador da Ong Sociedade Chauá e parceiro da Fun Verde, chama a atenção para outro dado: “uma árvore pode chegar a diminuir a incidência de luz direta em mais de 90%”. “Estudo feito em São Paulo demonstrou que áreas com mais arborização podem ter a temperatura até 10Cº abaixo de áreas não arborizadas, no mesmo horário. Uma cidade quente, como Apucarana, sem árvores teria um calor quase insuportável e um uso de ar condicionado, com certeza, dobrado”, avalia.
Além disso, o especialista comenta que a evapotranspiração das plantas de uma floresta é algo poderoso, uma vez que formam nuvens e consequentemente chuva. “Estudos recentes indicam que 40% das chuvas que caem na região sudeste e sul do Brasil não seriam possíveis sem a floresta Amazônica”, alerta.