A Prefeitura de Apucarana começou a distribuir ontem gratuitamente kits de produtos para a higiene íntima, ação que deverá atender cerca de 5 mil mulheres. O lançamento do Programa “De Bem Comigo” aconteceu ontem no Centro Social Urbano. Mulheres e adolescentes terão acesso mensal a dois pacotes de absorventes, sabonete em barra, sabonete líquido e desodorante antitranspirante.
O prefeito Junior da Femac, que esteve acompanhado no lançamento pela filha Luisa Martins, de 17 anos, afirma que o programa atenderá adolescentes em idade menstrual da rede pública de ensino municipal e estadual, Escola da Gestante, mulheres em situação de vulnerabilidade social atendidas pelos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) ou em situação de rua e detentas do sistema prisional.
Junior da Femac salienta que o Programa “De Bem Comigo” é uma iniciativa da Prefeitura com apoio da Câmara de Vereadores, através da Procuradoria da Mulher. “A mulher, junto com as crianças e os idosos, é um balizador das políticas públicas da administração, abrangendo todas as secretarias municipais. Vamos aplicar todos os recursos necessários para o bem-estar, protagonismo e fortalecimento da mulher”, frisa Junior da Femac. No primeiro kit, a pessoa contemplada pelo programa será presenteada com um estojo tipo nécessaire para guardar os itens.
O programa, que conta com um investimento inicial de cerca de R$ 500 mil do caixa próprio do Município, foi uma indicação da vereadora e presidente da Procuradoria da Mulher, Jossuela Pirelli. “O projeto foi formatado junto com o Executivo e contou com o apoio dos demais vereadores”, pontua Jossuela.
A ideia de criar o programa em Apucarana surgiu a partir de uma reportagem transmitida na Rede Globo, que abordou o problema. “Assisti o programa e uma informação que me marcou foi a questão da evasão escolar, pois muitas adolescentes tinham vergonha e não iam na escola neste dia”, salienta Nilsa Christ, presidente da Câmara da Mulher Empreendedora e Gestora de Negócios.
Patrícia Marchi, assistente de chefia do Núcleo Regional de Educação, estima que cerca de mil estudantes deverão ser atendidas nas escolas estaduais. “Hoje as meninas estão iniciando o ciclo menstrual cada vez mais cedo e ainda existe um tabu nas escolas, pois muitas estudantes não sabem como proceder com isso que acontece todo o mês”, observa Marchi.
No Brasil, uma pesquisa de 2018 de uma das principais marcas de absorventes, mostrou que 22% das meninas de 12 a 14 anos não têm acesso a produtos menstruais. Entre adolescentes de 15 a 17 anos, o número sobe para 26%.
A secretária da Assistência Social, Ana Paula Nazarko destaca que assegurar a higiene das mulheres contribuiu com a auto-estima feminina.