Mais de 2,4 mil alunos estão sem aulas em Apucarana após a ocupação de dois colégios estaduais por estudantes. Depois do “Nilo Cairo”, no centro, o movimento chegou na noite de segunda-feira ao “Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira”, no Distrito de Vila Reis. Em todo o Estado, cerca de 150 colégios de 33 municípios estão ocupados, segundo balanço divulgado no final da tarde de ontem. A reforma do ensino médio, proposta pela Medida Provisória (MP) 746/2016, e a limitação dos gastos públicos, que está em discussão com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, são as principais reclamações dos manifestantes.
A Procuradoria Geral do Estado entrou na segunda-feira com pedidos de reintegração de posse na Justiça, que acabaram negados. Novas ações devem ser protocoladas, já que as solicitações judiciais precisam ser individualizadas para cada colégio ocupado.
A intenção dos manifestantes é permanecer nas escolas enquanto a MP 746/2016 e a PEC 241 não forem retiradas de pauta pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e pelo Ministério da Educação (MEC).
Ontem à tarde, em Apucarana, o Conselho Tutelar esteve nos colégios acompanhado a movimentação dos alunos. No período da manhã, uma equipe do Núcleo Regional de Educação (NRE) também visitou os estabelecimentos de ensino ocupados e outros que ainda não aderiram ao movimento para conversar com os alunos.
Estudantes do “Nilo Cairo” e de outros cinco colégios fizeram uma passeata pelas principais ruas da cidade. “Visitamos alguns colégios para explicar os motivos da ocupação”, afirma Bruno Gurgell, presidente do Grêmio Estudantil do “Nilo Cairo”.
Segundo Gurgell, os estudantes foram divididos em várias comissões para organizar as atividades desenvolvidas nesses dias. “Hoje (ontem), estamos com várias oficinas de artes com estagiárias da Universidade Estadual de Londrina”, revela. Na sala, cerca de 30 alunos participavam da atividade. Para hoje, os estudantes haviam preparam um “aulão” com foco no Enem.
Já no Colégio Estadual Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira, no Distrito de Vila Reis, os estudantes, além das reclamações encabeçadas pela União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes) e pelo movimento Ocupa Paraná, pedem uma série de melhorias estruturais. Entre as principais queixas estão falta de ventilação, piso deteriorado, telhado comprometido e as condições precárias da cozinha. Os alunos na unidade contam com a supervisão dos pais, que ajudam no preparo dos alimentos, que são doados pela comunidade, assim como no “Nilo Cairo”.
NRE realiza seminário
O Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, que abrange 16 municípios, realiza um seminário amanhã, a partir das 9 horas, na Faculdade de Apucarana (FAP). O objetivo, segundo a chefe do NRE, Maria Onide Balan Sardinha, é discutir a proposta de reforma do ensino médio, apresentada pelo governo federal.
De acordo com Maria Onide, após as discussões levantadas por diretores, representantes de alunos (Grêmio Estudantil ou representante de turma) e representantes das associações de pais será emitido um documento que será apresentado à Secretaria de Estado da Educação (Seed). “A Secretaria de Educação tem discutido com muita serenidade essa proposta e o que também nos deixa tranquilos é que o Estado terá autonomia para aderir ou não a algumas propostas”, afirma.
A chefe do NRE reforçou que os pontos mais polêmicos, que são os alvos de relações dos alunos, como ampliação da carga horária, redução de disciplinas e professores não habilitados, não serão aderidos pelo Estado. “Acredito que algumas questões foram mal interpretadas na hora de passar para os alunos e, por isso, estão ocorrendo as ocupações”, avalia.