Os dez minutos dentro do camarim do cantor canadense Justin Bieber vão ficar para sempre marcados na memória de Kaline Micaele Batista Alves, 17 anos, de Arapongas. A jovem, que é de família simples, realizou o sonho de conhecer o ídolo na última quarta-feira durante a passagem do astro pelo Brasil através da turnê Purpose Tour, no Rio de Janeiro.
A adolescente teve o apoio da ONG Make-A-Wish Brasil, que ajuda a realizar sonhos de crianças portadoras de algumas doenças que coloquem suas vidas em risco. “Fiquei 17 segundos abraçada com o Justin, mas depois ele me abraçou de novo”, comemora a estudante de Administração de Empresas.
Kaline sofre de artrite idiopática juvenil, doença inflamatória crônica, desde os 5 anos, e viajou pela primeira vez de avião para encontrar o ídolo. Ela é filha adotiva da empregada doméstica Maria Lúcia Alves dos Santos, 52 anos, e de José Araújo dos Santos, 62, que atualmente está desempregado. “Foi tudo um sonho”, afirma a jovem.
A estudante foi ao show acompanhada da amiga inseparável Caroline Aparecida Caires, 17, responsável por fazer a inscrição e manter contato com o a equipe da ONG. As jovens foram junto da mãe de Caroline, Salete aparecida Caires, 52. “Eu ia com minha mãe, mas sem a Kaline não ia ter graça”, conta a amiga.
Sem a colaboração da amiga e da ONG, Kaline não teria condições financeiras de realizar o sonho de conhecer Justin Bieber. A área onde ela assistiu o show tinha ingressos cotados a R$ 2,5 mil. “Sou grata pela amizade e por tudo que todos da ONG e a Carol fizeram por mim. Fui muito feliz”, complementa a jovem que conclui o Ensino Médio no Colégio Estadual Antônio Garcez Novaes, de Arapongas.
A mãe Maria Lúcia autorizou Kaline ir com Carol e Salete, mas confessa que ficou com o coração apertado por não ter ido junto. Porém, ficou muito feliz pela conquista do trio. “Fiquei muito feliz por elas. Que felicidade”, reforça a mãe.
Justin Bieber, que segundo Kaline foi extremamente atencioso e carinhoso, deu um kit de presente para ela com 3 camisetas – uma ela deu para a amiga Carol - um moletom, uma mochila e um CD autografado. “Nunca vou esquecer de tudo que vivemos lá. Ele é lindo e carinhoso”, ressalta a fã.
Doença afeta articulações e não tem cura
Aos cinco anos Kaline, que ainda morava em Porecatu, sua cidade natal, passou mal com muita febre e foi trazida para o hospital em Arapongas. Após oito dias de internação, foi diagnosticada com de artrite idiopática juvenil, doença inflamatória crônica que atinge as articulações e não tem causa definida.
Ela faz tratamento a cada 6 meses no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Kaline diz que é o mesmo procedimento da quimioterapia, que tem como objetivo diminuir as inflamações nas articulações.
Além do tratamento, a jovem também tem consultas mensais para acompanhar seu estado de saúde. “Tenho muita dor em todas as articulações, mas a pior é no meu joelho direito, que me faz mancar”, explica.
Kaline diz que hoje se sente bem, mas que já teve que ficar na cadeira de rodas em alguns períodos da vida. “Em 2014 fiquei um ano sem andar. Tive uma crise, tomei remédio e achei que a dor iria passar. Porém, não passou. Pareciam facas entrando em minhas solas dos pés”, recorda o momento difícil.
Por precisar ir ao médico e tomar remédios com frequência, a mãe da jovem tentou algumas vezes conseguir o benefício do auxílio doença, mas não deu certo. No entanto, ela pretende tentar novamente para ajudar nas despesas de Kaline. “Ela vai conviver com a doença para o resto da vida. Ela leva uma vida com limitações, mas faz de tudo para tentar viver uma vida normal”, explica.