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Araponguenses convivem com ‘herança’ da chuva

Vanuza Borges

| Edição de 14 de janeiro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Um ano após os estragos deixados pelas chuvas que atingiram a região no início de janeiro de 2016, o cenário ainda é de preocupação, em especial em Arapongas, que foi um dos municípios mais atingidos. Entre os principais problemas estão dezenas de casas com rachaduras no Conjunto Tropical e erosões em diversos pontos da cidade, como a do Clube Campestre, que se agravou com a chuvas, e engoliu parte da estrutura.

Imagem ilustrativa da imagem Araponguenses convivem com ‘herança’ da chuva

Luiz Rocha, que integra a Associação de Moradores do Tropical, avalia que cerca de 40 casas apresentaram rachaduras em detrimento das fortes chuvas. “Algumas casas apresentam trincas e outras estão com a estrutura comprometida, inclusive, foram interditadas pela Defesa Civil”, afirma.
Rocha, conhecido como Cibalena, avalia que os moradores têm buscado fazer as reformas como recursos próprios, porém muitos não têm condições financeiras e vivem diariamente com o problema. “A maioria dos moradores não recebeu qualquer auxílio para reconstruir suas casas”, diz.
Um exemplo é a desempregada Silvana Balde, 41 anos, que veio para Arapongas há cerca de um ano para cuidar do pai, José Antônio Balde, de 74. Na casa, onde diversas rachaduras “cortam” o imóvel, vivem quatro pessoas. “Além da sensação de insegurança, quando chove, a casa fica toda úmida, o que deixa a gente com medo”, confessa.
Silvana recorda que, quando apareceram as rachaduras, técnicos da Defesa Civil visitaram a residência, mas depois ninguém retornou para dar qualquer orientação. A residência dos fundos, que é da irmã de Silvana, Virgínia Balde, 44, também apresenta problemas. O marido de Virgínia, Francisco José Tavares, 53, está desempregado, o que dificulta uma reforma na casa.
O vizinho da família Balde, o vigilante João Ribeiro da Silva, 69, também convive com o mesmo problema. As rachaduras estão por toda casa. As fissuras nos batentes deixam visível a necessidade de uma intervenção, uma vez que estão quase se desprendendo das paredes. “Não fiz um levantamento ainda, mas como assalariado o dinheiro é basicamente para comer”, diz.
Na casa da manicure e babá, Dafne Nobrega Simões, 27, que também é vizinha da família Balde e Silva, as rachaduras também causam problemas. Uma fissura praticamente desprende a cozinha do restante da casa. Para amenizar o problema ela improvou duas escoras e fechou a rachadura com uma coberta. “Colocamos a manta para evitar que a água da chuva caia dentro de casa. A rachadura tem aumentado neste período, o que nos preocupa”, diz.
Dafne comenta que ninguém da Defesa Civil compareceu para fazer uma avaliação técnica da casa. Na casa do comerciante Luiz Aparecido Izzo, 62, a Defesa Civil fez uma visita. “Disseram que não tem risco, mas a rachadura começa na cozinha e vai até o quarto. O piso também cedeu. Acredito que vou ter que gastar entre R$ 10 a R$ 15 mil”, diz.
A reforma, no entanto, não tem data certo para sair do papel. “Estamos economizando para ver se conseguimos fazer esse ano. Como sou aposentado não tenho FGTS e também não posso fazer dívidas”, comenta sobre a possibilidade de fazer um empréstimo.

Prefeitura busca recursos
Em março do ano passado, a Prefeitura, através da Secretaria de Assistência Social, fez um cadastro dos moradores que tiveram casas atingidas e enviou para a Caixa Econômica, que avaliou as informações e liberou, em alguns casos, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FTGS), para ser usado na reforma das moradias. O problema é que diversos moradores não têm valor a ser retirado do FGTS, o que dificulta as reformas.
O prefeito Sérgio Onofre (PSC) garante que irá buscar alternativas para reaver o dinheiro previsto ao município, através do Ministério da Integração, em casos de situação de emergência. “Vamos enviar o projeto e tentar reaver esse dinheiro, para ajudar esses moradores, além de investir na contenção das erosões como do Clube Campestre”, diz.
Onofre comenta ainda que, a partir da próxima semana, vai atualizar o cadastro das famílias que tiveram as casas atingidas junto com a Defesa Civil, para enviar esse projeto ao Ministério da Integração.

Um novo lago às margens da PR-444
Apesar dos estragos, as chuvas de janeiro de 2015 também possibilitaram um novo atrativo às margens da PR-444, entre o Conjunto Tropical e Jardim Aeroporto, um lago. Segundo moradores da localidade, já existia uma pequena lagoa nessa localidade, mas com as chuvas aumentou o volume de água, permanecendo cheia um ano depois. Aliás, o lago não tem apenas água, mas peixes, o que tem atraído diversas pessoas.
O morador do Jardim Aeroporto, Roger da Silva, de 21 anos, que sempre morou na região, não sabia da existência do lago até as chuvas de janeiro do ano passado. “É a primeira vez que venho aqui e realmente tem peixe”, afirma.
O colega Júlio Rodrigues Ribeiro, 31, também morador do Jardim Aeroporto, aproveitou o dia de folga para pescar, inclusive obteve sucesso na pescaria. O local passou a ser ponto de pescaria e reúne diariamente dezenas de pessoas.
Quando chove, o lago transborda e água chega a invadir da pista da rodovia. O KM 2, da PR-444, ficou bloqueado por 40 dias, após uma queda de barreira em janeiro do ano passado. 

Imagem ilustrativa da imagem Araponguenses convivem com ‘herança’ da chuva