Os roubos na zona rural de Apucarana aumentaram 36% em 2017, aponta levantamento feito pela Polícia Militar (PM). Com o intuito de reduzir os casos de assalto a propriedades rurais, o 10º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Apucarana lançou ontem a operação ‘Arrastão Rural’.
Para marcar o lançamento da operação, a PM de Apucarana, juntamente com a Guarda Municipal (GM), realizou na tarde de ontem a primeira ação. Equipes se deslocaram para a estrada rural do Suguiura e realizaram abordagens. O capitão Vilson Laurentino da Silva destaca que a ação será repetida.
“A operação foi lançada baseada nos dados estatísticos e também em virtude do final de ano, onde costumeiramente os crimes na zona rural aumentam. As equipes realizarão pontos de bloqueio estrategicamente planejados através de levantamentos técnicos e apoio de órgãos rurais. Nos bloqueios, as equipes estarão cadastrando as pessoas abordadas, verificando onde residem, qual propriedade rural estão trabalhando, assim como situações de veículos furtados ou roubados que possam estar passando pelas estradas rurais com destino a outras cidades”, disse.
De acordo com ele, as ações serão executadas semanalmente, tanto durante o dia quanto à noite, e empregarão equipes da ROTAM, Patrulha Rural e também da Polícia Militar Ambiental e Guarda Municipal.
CRIMES
De janeiro a outubro de 2017, a PM de Apucarana registrou 34 roubos a propriedades rurais de Apucarana. O número é 36% maior do que no mesmo período do ano passado, quando foram registrados 25. A quantidade de crimes deste ano, inclusive, já ultrapassou todo o ano passado, quando a soma foi de 28 assaltos.
Já o número de furtos nas áreas rurais, diminuiu 22,2% nos dez primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016. Foram 84 furtos em 2017, contra 108. Em todo o ano passado, foram registrados 140 furtos.
A Tribuna entrevistou um morador da zona rural de Apucarana, que preferiu não ser identificado, que sofreu nas mãos dos bandidos há pouco mais de uma semana. Segundo ele, a ação aconteceu no início da noite do último dia 1º. Um homem que passava em frente à residência da vítima pediu um pouco d’água. Quando o morador voltou com o copo, recebeu voz de assalto.
“Foi o pior dia da minha vida. Ficar com uma arma apontada para a cabeça é a pior sensação do mundo, não desejo para ninguém”, conta a vítima, que é caseiro em uma propriedade rural. Outros três adultos e três crianças estavam na casa no momento do assalto. Outro bandido entrou na residência, portando uma faca. Um terceiro assaltante esperou do lado de fora, no volante do veículo da fuga. As vítimas foram amarradas com fios de cobre. Os bandidos levaram celulares, uma espingarda, eletrodomésticos e dinheiro. “O medo fica. Agora, ficamos 24 horas trancados em casa. Ficamos traumatizados”, diz o homem.
Conseg Rural pede mobilização
O Conselho de Segurança Rural (Conseg Rural) de Apucarana é um dos órgãos que está apoiando a operação. O presidente da entidade, Luiz Carlos Balan, diz que a ação da polícia deve inibir os assaltos. No entanto, a instituição orienta os proprietários rurais para também fazerem a sua parte. “Uma das orientações é a instalação de sirenes nas propriedades, além de reforçarem as entradas das residências e investirem em iluminação e dispositivos de segurança”, afirma.
Segundo ele, proprietários rurais farão uma nova reunião com a PM na próxima semana para discutir novas ações. “Este trabalho em conjunto com a polícia é fundamental para nós. Estamos bastante esperançosos com esta medida da PM”, destaca.
Morador da zona rural, Pedro Cortinove aprovou a operação da PM. “Me sinto mais seguro com a polícia por aqui. Vários roubos e furtos aconteceram na região. Acredito que a simples presença da polícia já inibe as ações dos bandidos”, diz.