A cor amarela tem iluminado monumentos em todo Brasil neste mês com o intuito para chamar a atenção para uma causa de morte ainda considerada tabu, o suicídio. O Movimento Setembro Amarelo, iniciado em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) no País, alerta que o suicídio é problema de saúde pública. Por dia, 32 brasileiros colocam fim à própria vida, número superior às vítimas de Aids e da maioria dos tipos de câncer. Na região, houve um aumento de 25% de óbitos em comparação ao mesmo período do ano passado (janeiro a agosto).
Segundo levantamento da 16º Regional de Saúde (RS), feito a pedido da Tribuna, de janeiro a agosto, de 2016, foram 19 casos de suicídio. Neste ano, no mesmo período de oito meses, foram 24 mortes. Em todo ano passado, 35 pessoas morreram desta forma. A quatro meses para encerrar o ano, as situações já representam 68% de todas as ocorrências de 2016.
Neste ano, dos óbitos, 19 são de homens e 5 de mulheres. Os registros ocorreram em Apucarana (7), Arapongas (6), Califórnia (2), Faxinal (1), Grandes Rios (1), Jandaia do Sul (4) e Mauá da Serra (3). Em 2016, 12 municípios, dos 16 na área de abrangência da Regional de Saúde, registraram pelo menos um caso. Das 35 vítimas, 33 eram homens e duas mulheres.
O que chama a atenção, além dos números, é um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que revela que de cada dez casos, nove poderiam ser prevenidos. É justamente essa a mensagem de alerta da campanha Setembro Amarelo: é possível prevenir o suicídio. A coordenadora do departamento de Saúde Mental, da 16ª RS, psicóloga Ângela Maria Maioli Blanski, avalia que o ato de atentar contra a própria vida é baseado num momento, ou seja, a reinterpretação dessa situação possibilita uma outra tomada de decisão.
De acordo com a coordenadora, vários fatores vão interferir na tomada de atentar contra a própria vida, mas alguns são mais comuns como transtornos relacionados à depressão e à drogadição. Momentos de maior fragilidade emocional, provocados de perdas de pessoas próximas, separação, desemprego, também pedem atenção especial. Casos de abusos emocional, físico e sexual, por gerarem grande sofrimento, também podem desencadear pensamentos suicidas, alerta a profissional.
Além disso, a psicóloga observa que o isolamento social, aliado à solidão tão presente na sociedade atual, é outro sinal de alerta. “Parece que quase ninguém tem mais tempo para conversar. Por isso, é importante ouvir o outro. A pessoa que comete suicídio está num momento de desesperança muito grande”, diz.
EVITÁVEL
Porém, Ângela argumenta que o suicídio é evitável. “Na maioria dos casos, antes do ato, a pessoa já sinalizou com algumas frases, publicações nas redes sociais e com mudanças no comportamento, que tendem a ser mais impulsivos”, comenta. Como exemplo, passar a dirigir mais perigosamente, entre outras situações que colocam a vida em risco.
Além desses comportamentos, a psicóloga orienta a ficar atento a pesquisas sobre métodos letais contra a própria vida. “Então, ao perceber esses sinais, converse com essa pessoa, pergunte o que está acontecendo, informe aos familiares, encaminhe para ajuda médica especializada”, aconselha, observando que é essencial agir, e nunca ignorar.
Família precisa de tratamento
A coordenadora da Saúde Mental, da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, Ângela Maria Maioli Blanski, observa que o diálogo com a pessoa deve mostrar que a vida é uma junção de experiências e momentos, bons e ruins. “É importante conversar, mostrar que todo problema tem solução. Alguns têm solução mais imediatas, outros a longo prazo, mas todos têm solução”, afirma.
Além disso, segundo ela, é importante fazer colocações para a pessoa, no sentido que ela precisa tomar decisões, para sair desse estágio de dor. “Caso, não consiga evitar a morte, a família normalmente passa por um sofrimento muito intenso, adoece e, por isso, precisa de tratamento especializado”, diz.
Em média, de acordo com Ângela, um caso de suicídio atinge seis pessoas, que tendem a se sentirem impotentes e, ao mesmo tempo, culpadas.
Porém, para prevenir, a capacitação dos profissionais também é essencial, avalia Ângela. “A prevenção começa com a qualificação dos profissionais de saúde e também com diálogos sobre o assunto”, acredita.