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Avançar o sinal vermelho responde por 12% dos acidentes em Apucarana

Fernando Klein

| Edição de 31 de dezembro de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Dois acidentes com três mortes em cruzamentos com semáforos neste ano, em Apucarana, geraram alerta para uma infração perigosa que vem se tornando rotineira na cidade: avançar o sinal vermelho. Diante desse quadro, a Prefeitura iniciou um amplo estudo para conscientizar a população e também reprimir tal prática.

De janeiro a novembro deste ano, a Polícia Militar (PM) registrou 876 acidentes no perímetro urbano de Apucarana, sendo 107 em cruzamentos com semáforos, segundo balanço do Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Planejamento de Apucarana (Idepplan). O número representa 12,21% do total de ocorrências. Em 2014, de janeiro a dezembro, 117 dos 1.055 acidentes foram registrados também em cruzamentos com semáforos, um índice de 11,09%. Não foram registrados óbitos.

As três mortes em 2015 ocorreram no cruzamento das ruas Ponta Grossa e João Cândido Ferreira, na área central de Apucarana. Valdir Santos de Oliveira, de 27 anos, e Tiago de Lima Nunes, de 24 anos, morreram na madrugada de 15 de março, quando o veículo em que os dois estavam se envolveu em uma colisão com um táxi. Eles chegaram a ser encaminhados ao Hospital da Providência, mas não resistiram aos ferimentos. Outras duas pessoas ainda ficaram internadas em estado grave.

A outra vítima foi o motorista da Viação Apucarana Ltda (VAL), Antônio Benjamim Neto, de 54 anos. Ele morreu em serviço, quando foi atingido por outro ônibus na manhã de 30 de setembro. Benjamin Neto não resistiu quando recebia atendimento no local. Outras cinco pessoas ficaram feridas, sem gravidade.

O engenheiro da computação Evandro Choma, responsável pelas estatísticas de trânsito no Idepplan, está elaborando um estudo sobre o desrespeito aos semáforos em Apucarana. De janeiro a novembro de 2015, foram 160 infrações de avanço do sinal vermelho. O índice representa 5,31% do total de 3.013 notificações feitas na cidade no período. Em todo ano passado, foram 264 casos, respondendo por 5,25% das 5.026 notificações.

Imagem ilustrativa da imagem Avançar o sinal vermelho responde por 12% dos acidentes em Apucarana

Segundo Choma, a infração é muito cometida na cidade e as notificações estão longe de representar o tamanho do problema. “Avançar o sinal vermelho mostra a falta de educação e de respeito no trânsito, porque se há um guarda municipal visível nesses cruzamentos, o motorista respeita a sinalização”, afirma Choma.

Ele cita como exemplo uma experiência realizada no semáforo no cruzamento das ruas Munhoz da Rocha e Osório Ribas de Paula (atrás do banco Itaú da Praça Rui Barbosa). Das 14 às 15 horas, 54 pessoas foram flagradas furando o sinal. Quando um guarda municipal foi postado no local, em uma hora, o número de ocorrências caiu para 12. “A experiência foi feita para avaliar o comportamento dos motoristas”, informa Choma. Segundo ele, esse semáforo é o campeão dessa infração na área central. No entanto, o problema em Apucarana é mais frequente na Avenida Minas Gerais, principalmente nos semáforos próximos ao Supermercado Muffato.

Maior rigor na fiscalização

A Prefeitura de Apucarana pretende colocar em prática a partir do próximo ano algumas ações para coibir e punir os motoristas que avançam o sinal vermelho. Segundo o engenheiro da computação Evandro Choma, que cuida da parte demultas no Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Planejamento de Apucarana (Idepplan), essa infração representa riscos para motoristas, pedestres e ciclistas.

“Há uma recomendação do Detran e de especialistas para buscar alternativas para reduzir os casos de avanço de sinal vermelho. É uma infração que traz enormes riscos de acidentes, não apenas colisões, mas também atropelamentos. Muitos atendimentos médicos no trânsito têm o avanço do sinal vermelho como principal causa”, afirma Choma.

Além de colocar em prática ações de educação e orientação, a Prefeitura de Apucarana não descarta a possibilidade da implantação de “vídeos-vigias” nos semáforos – a marca mais conhecida no mercado brasileiro é conhecida como “Furão”. “É uma alternativa que estamos estudando e que pode, sim, ser implantada”, assinala Choma. Avançar o sinal vermelho é uma infração gravíssima, que prevê multa de R$ 191,54 e 7 pontos na carteira de habilitação. FK

Desrespeito às vagas de idosos e deficientes

Outra infração que mostra a total falta de educação no trânsito é o estacionamento em vagas destinadas a idosos e deficientes físicos. De janeiro a novembro, Apucarana registrou 3.013 notificações. Estacionar em vagas de idosos e deficientes lideram o ranking, com 525 registros (17,4% do total).

“É um desrespeito com os idosos e deficientes. Há aquele discurso de ‘parei com só cinco minutinhos’, que é completamente inaceitável”, afirma Evandro Choma, do Instituto de Desenvolvimento, Pesquisa e Planejamento de Apucarana (Idepplan).

Ele informa que uma nova norma entrará em vigor a partir de janeiro para coibir essa prática também em estacionamentos privados, como supermercados. Hoje, os agentes de trânsito podem fazer a fiscalização apenas no caso de reclamações feitas por usuários ou funcionários do estabelecimento. Com a mudança, guardas municipais e policiais poderão fiscalizar por contra própria, sem a necessidade de uma denúncia.

Além disso, no começo deste mês, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), da Câmara dos Deputados, aprovou proposta que considera infração grave - com cinco pontos na carteira de habilitação, multa de R$ 127,69 e remoção do veículo - o uso indevido de vagas de estacionamento para idosos e pessoas com deficiência. A proposta agrava a penalidade, que era uma infração leve e tinha multa de R$ 53,20, com três pontos na carteira.