CIDADES

min de leitura - #

Avícola aposta em certificação halal para ampliar mercado

Ivan Maldonado

| Edição de 25 de outubro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

De olho em mercados diferenciados, as empresas brasileiras investem em certificações que garantam livre acesso aos consumidores com hábitos de consumo personalizados. É o caso da Frango Caipira do Campo, de Ivaiporã, que recentemente obteve a certificação halal para sua produção de aves. Com este certificado, a empresa que abate a 5 mil aves/dia, que são distribuídas em sua maior parte no próprio estado paranaense, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Distrito Federal e na grande São Paulo será capaz de oferecer os produtos para todos os consumidores que seguem os preceitos do islamismo para reforçar a sua posição no mercado brasileiro.

Imagem ilustrativa da imagem Avícola aposta em certificação halal para ampliar mercado

Segundo Marcos Batista, diretor presidente da Frango Caipira do Campo, com o abate halal, a empresa poderá atender o consumidor muçulmano que vive no Brasil e não encontra opções no mercado de aves. “Um mercado de aproximadamente um milhão de pessoas”, destaca Batista. Além disso, há uma crescente tendência em relação aos produtos halal, mesmo entre os consumidores não-muçulmanos.

“Muito mais do que respeito aos aspectos religiosos, a certificação halal trata de princípios que vão do respeito a todos os seres vivos até questões sanitárias. Para os consumidores não-muçulmanos, o selo halal é garantia de que a empresa investe em tecnologia, qualidade e segurança alimentar. A expectativa de Batista é que o abate halal na empresa comece a funcionar a partir do próximo mês.

Para obter a certificação halal, a empresa Frango Caipira do Campo buscou a SIIL (Serviços de Inspeção Islâmica) na qual obteve as orientações necessárias para se adequar ao conjunto de práticas e condutas consideradas lícitas [permitidas e saudáveis] perante a lei islâmica.

Segundo Batista, por conta produção artesanal do frango caipira, poucas modificações foram necessárias para receber a certificação. “A criação do frango caipira envolve uma alimentação mais natural, composta por verduras, legumes, grãos de milho e farelo de soja, consumidos livremente. O frango é criado solto por 70 dias e isso ajudou bastante para que recebêssemos a certificação”.

Dentre as modificações necessárias, Batista diz que a empresa precisou contratar um muçulmano para realizar o abate e ajustou sua linha de produção de forma que o peito do frango esteja voltado em direção à Meca [cidade sagrada para os muçulmanos] no momento do abate.

PELO MUNDO

Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas) os muçulmanos somam 25% da população mundial e o Islamismo é a religião que mais cresce no mundo. Os muçulmanos consomem apenas alimentos halal, seguindo os preceitos do Alcorão, livro sagrado do Islam. O termo significa produto lícito para consumo, ou seja, durante o processo de produção foram respeitados quesitos diversos sanitários e religiosos.

O Brasil é um dos países que mais exporta produtos halal. O potencial de consumo halal gira em torno de US$ 580 bilhões ao ano, sendo que entre US$ 120 bilhões e US$ 130 bilhões estão concentrados em 22 países árabes.