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Avicultura do corte cresce 23% e toma espaço da soja na região

Renan Vallim

| Edição de 30 de julho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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A região de Apucarana se consolidou como uma das principais áreas do estado na avicultura. Os dados do Valor Bruto de Produção (VBP) de 2015, divulgados neste mês pelo Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), corroboram a afirmação. Enquanto que o VBP total aumentou 20,8% no comparativo com 2014, o frango de corte cresceu 23,5%, desbancando de vez a soja e se tornando a principal atividade de Apucarana, Arapongas e outras cidades. Apesar disso, a associação de produtores explica que os aviários têm sofrido com baixa rentabilidade.

Imagem ilustrativa da imagem Avicultura do corte cresce 23%  e toma espaço da soja na região

Mais de um terço de tudo o que é produzido na região vem dos aviários. Os municípios pertencentes ao Núcleo Regional de Apucarana da Seab produziram pouco mais de R$ 2 bilhões ao longo do ano de 2015, sendo que R$ 691,3 milhões, ou 34,4%, são provenientes da avicultura de corte.

Em alguns municípios, o setor representa mais da metade do VBP, com destaque para Novo Itacolomi (63%), Jandaia do Sul (58%) e Califórnia (50%). “Atingimos produção recorde na avicultura da região em 2015, com 87,1 milhões de abates. Cinco anos antes, esse número não passava dos 61 milhões. A avicultura tem ganhado uma força nunca antes vista na nossa região”, destaca Paulo Franzini, chefe do Deral do Núcleo Regional da Seab de Apucarana.

Segundo ele, a avicultura tem crescido graças a características específicas. “O frango de corte é uma produção intensiva, ou seja, é criado em pouca área, mas oferece alto valor. Pequenos produtores se beneficiam disso para diversificar a produção. Além disso, a região está próxima a grandes empresas do setor”, diz.

Mas o setor ainda tem suas restrições. “Apesar dos produtores se mostrarem, de maneira geral, satisfeitos, o investimento é alto e exige constante atualização de equipamentos”, ressalta Franzini.

MUNICÍPIOS

Em Apucarana, que tem VBP de R$ 292,3 milhões, o frango de corte é responsável por cerca de 44% do VBP, tendo gerado R$ 129,7 milhões. Em segundo lugar ficou a soja, com distantes R$ 62,7 milhões gerados.

No ano anterior, o VBP do frango de corte havia ficado em R$ 86,1 milhões. Sendo assim, o setor registrou alta de 50,6%, bem acima da soja, que se manteve praticamente no mesmo patamar, crescendo 7%. O VBP total cresceu 30,7% de 2014 para 2015.

Em Arapongas, o VBP total ficou em R$ 305,5 milhões, sendo a avicultura responsável por R$ 89,3 milhões, ou 29,1%. Na comparação com o ano anterior o setor cresceu 44,7%, acima da média do VBP total, que subiu 22,5%. A soja ficou em segundo lugar, com R$ 70 milhões e crescimento de 13,3% em relação ao ano anterior.

Marilândia do Sul, com o maior VBP da região, destoa. Com produção de R$ 28,1 milhões e participação de 8,2%, a avicultura ficou apenas na quarta posição, atrás da cenoura (R$ 79,2 milhões – 23%), da soja (R$ 74,5 milhões – 21,7%) e couve-flor (R$ 33,9 milhões – 9,8%). O VBP total do município ficou em 343,2 milhões.

Produtores

‘no vermelho’

Apesar dos crescimento, de acordo com o representante da Associação dos Avicultores do Norte do Paraná (Avinorte), Altair Severgnini, grande parte dos produtores enfrentam dificuldades. “Muitos estão trabalhando ‘no vermelho’, isto é, não estão conseguindo nem pagar os financiamentos que fizeram para construir os aviários. Hoje, o custo de produção por cabeça fica entre R$ 0,48 e R$ 0,58. Recebi nesta semana a ligação de dois produtores de Apucarana, sendo que um deles vendeu cada frango a R$ 0,51 e o outro, a R$ 0,43”.

Segundo ele, as empresas integradoras, que fornecem a ração, os pintinhos e depois buscam os frangos para o abate, ficam com a maior parte do lucro. “Os pintinhos estão vindo com má qualidade e, com o milho muito caro, a ração também vem ruim. Isso derruba a produtividade e, com isso, as integradoras pagam muito pouco para os produtores”, reclama.