Quando começou a amamentar Mariana, hoje com 7 meses, a empresária Edione Magalhães Motta, 31, de Apucarana, enfrentou muita dor e desconforto. “Ganhei minha filha em um hospital de Londrina, mas não tive as orientações corretas para a amamentar e tive muita dor nos mamilos. Fiquei apavorada”, recorda. A dificuldade enfrentada por Edione é a mesma de várias mulheres que são orientadas pela equipe do Banco de Leite do Hospital da Providência de Apucarana, que desenvolve um programa para auxiliar as mães no processo.
“Tudo mudou com a orientação das meninas do Banco de Leite. Descobri que eu não estava pegando a Mariana corretamente e o ar que entrava durante a amamentação estava causando as cólicas nela. Além disso, elas me ajudaram a retirar o excesso de leite, que poderia ter causado uma mastite”, complementa.
Além de orientar mães, o Banco de Leite Humano é responsável pelo fornecimento de leite para bebês internados na UTI Neonatal. Atualmente, o banco conta com apoio de cerca de 85 doadoras de leite materno, que disponibilizam cerca de 70 litros de leita por mês para 14 bebês.
A filha da professora Angélica de Fátima Rodrigues, 24, de Apucarana, é uma dessas crianças. Prematura, a bebê está internada há uma semana na UTI Neonatal do hospital. Porém, a mãe leva todos os dias o leite para que as enfermeiras a alimentem. “A Vitória está se alimentando através de sonda e essa é uma forma de estar próxima dela trazendo o leite, que ainda chega quentinho”, conta a mãe.
Como forma de agradecimento à equipe, a empresária Edione Magalhães Motta virou doadora e contribui há sete meses. “Eu tinha muito leite e vi uma forma de retribuir a atenção que o pessoal me deu, ajudando com as doações. Outro ponto que ajudou foi que o bombeiro busca em casa, facilitando bastante o processo de doação”, conta.
A coordenadora do Banco e Leite, enfermeira Júlia Parra, destaca que toda doação de leite é bem-vinda. Porém, alguns cuidados são tomados ao cadastrar as mães. “Precisamos saber a procedência do leite, por isso, é preciso do cartão pré-natal e de um cadastro. Caso a mãe não tenha, os testes rápidos de HIV, Hepatite, sífilis, são realizados”, complementa.
Quando a mãe já está cadastrada, a enfermeira explica que a doadora recebe um kit com toca, máscara, etiqueta para colocar no recipiente e um vidro esterilizado. Para a coleta, a equipe do Banco de Leite conta com a ajuda do Corpo de Bombeiros, que semanalmente manda um de seus integrantes às casas das doadoras para recolher o leite congelado, que será destinado aos bebês do hospital.