Banco de Leite do Hospital da Providência, em Apucarana, precisa aumentar o volume de doações em pelo menos 33% para conseguir atender a demanda diária de leite materno. A unidade recebe por mês cerca de 60 litros, mas para alimentar os bebês recém-nascidos seriam necessários 80 litros. Atualmente, 35 mães doam leite regularmente à unidade. Amanhã, 19 de maio, é o Dia Nacional de Doação de Leite Humano”, data que tem por objetivo conscientizar as mães sobre a importância deste gesto.
A professora Dienifer Bonfim, de 23 anos, de Faxinal, descobriu há 15 dias o valor da solidariedade. A filha Alice nasceu prematura, de 33 semanas, e está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Lá, com todos os cuidados, a pequena recebe, além da visita diária da mãe, o alimento, que é administrado por uma sonda. “Estou fazendo de tudo para aumentar, mas meu leite ainda não é suficiente para ela, que precisa do leite de outras mães”, reconhece cheia de gratidão.
“Nunca havia pensado na grandeza deste gesto. Assim, que minha filha sair da UTI e eu começar a ter mais leite, vou doar o excedente”, garante. Tanto é que ela já convenceu uma tia, que está amamentando a doar. “É muito importante a participação das mães nessa campanha”, avalia.
Quem também aprendeu o valor do leite humano é a técnica de enfermagem Fernanda Moreira, 36, de Marumbi. Assim como Dienifer, ela além de todos os dias retirar o leite para alimentar a filha Evelin, de apenas cinco dias, que também nasceu prematura, e conta com a solidariedade de outras mães. “O meu leite ainda é bem pouquinho, mas é uma forma de estar presente. Ela também precisa do leite doado por outras mães”, sublinha.
Dienifer e Fernanda garantem, que assim que possível, vão ser doadoras e incentivar outras mães a doarem. Elas só conseguem que o leite delas cheguem até as filhas, porque o Hospital da Providência conta com o Banco de Leite, o que permite que o alimento seja pasteurizado.
A coordenadora do Banco de Leite, Patrícia Cristina Gomes explica que o leite materno é direcionado prioritariamente para os bebês prematuros, que necessitam de atenção maior. Na ausência do alimento, a enfermeira comenta que é usada uma fórmula especial. “O leite humano é rico em vários componentes, como água, vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e anticorpos. É um alimento completo e assimilado pelo corpo do recém-nascido, além de ser de fácil digestão”, enumera.
Ela comenta ainda que o leite humano deve ser o único alimento até os seis meses de vida. Depois, a amamentação deve ser feita até os dois anos, porém neste período a dieta deve incluir outros alimentos.
Apenas excedente é doado
A coordenadora do Bando de Leite, do Hospital da Providência, Patrícia Cristina Gomes, garante que as mães podem doar sem medo, porque não vai faltar leite para os filhos. O motivo é que a produção tende a aumentar de acordo com o estímulo e é doado somente o excedente. “As mães que podem ser doadoras são aquelas que oferecem peito aos filhos e eles sugam bem, dormem bem e ainda assim fica vazando. É nessa hora que vão ordenhar, porque a mama cheia causa um desconforto muito grande”, afirma.
Para realizar a ordenha, a enfermeira explica que são tomados vários cuidados, como touca, máscara, lavar as mãos, braços e a mamas, além de usar vidro estéril. “Precisa ter muito cuidado, para não contaminar o leite retirado”, destaca. Todo o processo dura cerca de 20 minutos.
Porém a quantidade recolhida neste processo é muito variável. “Algumas mães enchem um vidro de 500 ml num dia. Outras, 300 ml numa semana. Porém, todo leite é importante”, avalia.
Atualmente, o Hospital da Providência recebe doações de mães de Apucarana, Arapongas, Califórnia e Jandaia do Sul. Para ser uma doadora, basta ligar no Banco de Leite ou ir até uma unidade de saúde, que dispõe do kit repassado para as mães. As doadoras também recebem toda orientação de como fazer a ordenha e guarda o leite até a coleta.