CIDADES

min de leitura - #

Brechós de roupas infantis ganham espaço

Vanuza Borges

| Edição de 09 de dezembro de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Roupas higienizadas, etiquetadas e guardadas uniformemente nas araras. Com os sapatos, o procedimento é o mesmo. Todos limpos e embalados. Práticas que até bem pouco tempo não eram associadas aos tradicionais brechós, mas lojas atuais de artigos usados têm apostado num novo jeito de vender e trocar roupas e calçados, em especial, de crianças. A modalidade tem conquistado espaço entre os pais, que aproveitam para economizar e, alguns, para transformar a prática em negócio, além de espalhar um novo conceito: economia aliada com sustentabilidade.

Imagem ilustrativa da imagem Brechós de roupas infantis ganham espaço

Um exemplo vem da lojista araponguense Renata Florêncio, de 32 anos. Mãe da Sophia, de cinco anos, ela não demorou para perceber que havia exagerado no enxoval e muitos itens, que foram usados uma, duas, no máximo, três vezes, já não serviam mais. A ideia inicial e a mais simples sugerida por familiares e amigos foi a doação, mas Renata pensava diferente: “eu precisava comprar roupas regularmente para substituir as que ela perdia”.
Após conhecer um brechó em São Paulo, decidiu investir no segmento. “Decidi começar com as roupas da Sophia e com algumas coisas que comprei novas, mas a ideia era estabelecer uma rede de troca entre as mães. Desde o início, eu faço questão de trabalhar com roupas e calçados limpos. E a loja também”, afirma.
A empresária explica que os pais, além de comprar na loja, podem levar as roupas dos filhos para trocar por outras peças. “A ideia é criar este novo conceito de sustentabilidade e economia. Hoje, eu tenho clientes de todas as classes sociais”, sublinha.
Além da loja em Arapongas, que foi onde deu início ao projeto em 2012, Renata abriu uma nova loja em Sarandi, em 2015 e, em fevereiro deste ano, uma unidade em Apucarana. 
O projeto é continuar expandindo a proposta, para outras cidades. E Renata não é a única. A apucaranense Elisângela Gaspar Castoldi, de 38 anos, também resolveu investir neste ramo, conciliando a profissão de enfermeira com empresária.
Elisângela também teve a ideia com o filho Theo, de 4 anos. A princípio trocava e vendia através de aplicativos e redes sociais até que em abril deste ano resolveu abrir uma loja no bairro onde mora.
No brechó de Elisângela desde o início tudo também é higienizado e embalado. “Eu abria a loja às 16 horas, depois que eu chegava do trabalho, e ficava até as 19 horas. Percebi que as pessoas gostaram da ideia e, então, resolvi abrir recentemente um novo ponto num lugar mais movimentado”, revela.
O lugar escolhido foi na Rua Ouro Branco, ao lado do brechó de uma amiga. “E tem dado certo. Não é muito lucrativo, mas funciona. As mães compram ou trocam as peças. A ideia é promover a sustentabilidade e o consumo mais consciente, principalmente entre as crianças, que aprendem a trocar as roupas quando não servem mais, além de ser mais econômico aos pais”, diz. Atualmente, Elisângela conta com uma funcionária, para manter a loja aberta o dia todo.

Novo conceito de consumo
As empresárias Renata Florêncio, de Arapongas, e Elisângela Castoldi, de Apucarana, avaliam que essa modalidade de negócio é fruto de uma nova concepção de consumo das pessoas e também reflexo da crise econômica. 
“Muitos pais adotam a ideia de comprar ou trocar as roupas usadas dos filhos por ser mais econômico e sustentável, mas alguns pais, que nunca cogitaram entrar num brechó, fazem isso agora porque o orçamento reduziu”, avalia Renata.
A professora Pâmela Ambrósio e o contador Luís Fernando Raksa, pais do Lucas Rafael, de apenas oito meses, adotaram a prática desde o início pela economia e pela sustentabilidade. “Eu prefiro trocar as roupas dele aqui na loja, porque as peças não desgastam nessa idade. Às vezes usam duas, três vezes. Outras nem são usadas porque quando a gente vê a criança já cresceu. Além disso, as peças são boas e custam menos da metade do preço de uma nova”, diz.