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Caminhoneiros protestam na região

Renan Vallim e Fernanda Neme

| Edição de 22 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Centenas de caminhoneiros cruzaram os braços ontem em protestos por todo o Brasil. Na região, foram registrados quatro pontos de bloqueio em três rodovias, impedindo o transporte de carga. A principal reivindicação dos manifestantes é a redução do preço do diesel, que foi reajustado em 5,6% só na última semana. Ontem, foram anunciados novos reajustes pela Petrobras, de 0,97% para o diesel e 0,9% para a gasolina.

Imagem ilustrativa da imagem Caminhoneiros protestam na região


A primeira manifestação registrada na região foi na BR-376, no município de Califórnia, que foi iniciada aproximadamente às 7h30. Já às 11 horas foi a vez da PR-444, em Arapongas. Uma hora depois, caminhoneiros paralisaram outro ponto da BR-376, desta vez em Mauá da Serra. Durante à tarde, a PR-218, entre Arapongas e Sabáudia, também registrou manifestações. Até o fechamento desta edição, os protestos ainda não haviam sido encerrados.
A manifestação, segundo o caminhoneiro araponguense Avelino Gasparoto Filho, 35 anos, foi motivada pela alto valor do combustível e o baixo custo do frete. “O custo do frete não está pagando nossas despesas. Tenho amigos que tiveram que parar de viajar por não conseguir bancar o combustível. Além disso, estamos sem condições de pagar a manutenção do veículo, prestação do caminhão, melhorar a frota, daí acontece um acidente e o culpado é o motorista. Porém, o governo não está nos dando outra alternativa”, lamenta. 
O trabalhador afirma que a intenção da maioria dos caminhoneiros é realizar uma manifestação pacífica. “Como qualquer funcionário, precisamos viver dignamente. Não queremos brigar e não vamos acabar a manifestação até que o sindicato nos autorize. A gente já vem comunicando alguns dias que íamos fazer, e o governo não está nem aí. Por isso, resolvemos nos manifestar”, explica.
Outro manifestante é o caminhoneiro Ronaldo Estevão Ribeiro, de Arapongas. Ele faz frete há dois anos e está revoltado. “A revolta maior no momento é o preço do óleo diesel, que está absurdo. Não tenho condições de rodar com esse preço. Se o valor do combustível não abaixar, vamos ter que parar de trabalhar”, diz.
BLOQUEIO PARCIAL
Um interdito proibitório concedido pela Justiça Federal proíbe o bloqueio de rodovias por caminhoneiros nas estradas federais do Paraná. A medida prevê multa de R$ 100 mil por hora, em caso de interdição total de qualquer trecho. Por isso, os manifestantes estão apenas bloqueando parcialmente as rodovias ou mantendo os caminhões nos acostamentos, impedindo apenas veículos de carga de trafegarem e liberando a passagem dos demais veículos.
Ao todo, 33 manifestações foram registradas ontem pelas polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) no Paraná, sendo 23 em rodovias federais e 10 em rodovias estaduais. De acordo com a PRF, apenas um protesto foi encerrado até o fechamento desta edição: na BR-476, em Curitiba. “A PRF ainda não precisou realizar nenhuma intervenção. As manifestações estão ocorrendo de maneira pacífica. Não registramos nenhuma reclamação por parte dos motoristas”, afirma Wilson Martines, inspetor da PRF.
O Ministério de Minas e Energia informou que o presidente Michel Temer (MDB) iria se reunir com ministros ainda ontem para discutir o preço dos combustíveis no país.