CIDADES

min de leitura - #

Canal francês filma na cadeia de Ivaiporã

Ivan Maldonado

| Edição de 04 de novembro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Desde a terça-feira, a cadeia pública de Ivaiporã está na pauta de dois jornalistas franceses que produzem um documentário sobre a situação carcerária no Brasil. Sonia Hedidi e Paul Cabanis trabalham na Babel Press, produtora de programas para a televisão.

Imagem ilustrativa da imagem Canal francês filma na cadeia de Ivaiporã

Os jornalistas escolheram a Cadeia Pública da 54ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) para falar sobre fugas. A reportagem, segundo eles, será transmitida no Canal Plus, especializado para a comunidade francófona, o francês é língua oficial em mais de 30 países.

Segundo a jornalista Sonia Hedidi, o interesse pela Cadeia de Ivaiporã se deve principalmente em razão das últimas fugas. Só no último mês foram duas fugas e uma tentativa de rebelião.

“Nas nossas pesquisas pudemos notar que no Brasil, o problema maior de fugas é aqui no Paraná. Chamou a atenção que as delegacias são improvisadas com um sistema carcerário. Para nós franceses, é surpreendente uma prisão numa delegacia”, explica Sonia.

A ideia, segundo Sonia, é mostrar como os delegados conseguem compartilhar, os trabalhos de investigação e carceragem ao mesmo tempo, e o motivo da superlotação nessas carceragens.

“Na França, mesmos nas penitenciárias não é comum essa coisa de excesso de presos”, argumenta Sonia.

Ela explica ainda, que lá as celas em delegacia são apenas para presos provisórios. “Eles ficam no máximo 48 horas, nesse prazo os réus passam pela corte e ocorre o julgamento pelo juiz. Caso sejam condenados, eles são transferidos imediatamente para as penitenciárias”. No caso, de crimes mais graves, quando o julgamento é mais demorado, os detidos aguardam em prisões provisórias. “Não nas delegacias”.

O jornalista Paul Cabanis, disse que ficou surpreso com as péssimas condições que estão os detentos da carceragem da 54ª DRP. “Nenhum ser humano, independente do crime praticado, merece viver numa cadeia nessas condições”, comenta Cabanis.

Segundo o presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Ivaiporã, Jair Antônio Burato, é muito importante que a imprensa internacional comece a tomar conhecimento da realidade do sistema carcerário brasileiro.

“Infelizmente no país, a lei carcerária não é levada sério. As cadeias das delegacias, que serviria apenas para presos provisórios, se transformaram em prisões irregulares superlotadas e em péssimas condições. Isso, desvirtua o trabalho da Polícia Civil, que deixa de investigar para cuidar de presos”, completa.