Dos 399 municípios paranaenses, 40 já tem o câncer como principal causa de morte, o que equivale a aproximadamente 10%. Os números são de um levantamento divulgado nesta semana pelo Observatório de Oncologia do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Nos municípios pertencentes à 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana, os casos fatais de câncer ficam atrás apenas de doenças no aparelho circulatório.
Ao longo de 2017, foram 2.639 mortes nos 17 municípios da 16ª RS. Destes, um total de 465 pessoas (17,6%) morreram em decorrência de câncer. O número fica atrás apenas das doenças no aparelho circulatório, que envolvem problemas no coração e foram a causa de 839 óbitos (31,8%). Com 16 registros, o município de Bom Sucesso é o único da região que tem o câncer como principal causa de mortes, ainda que empatado com os problemas cardiovasculares.
O avanço da doença preocupa médicos, pesquisadores e especialistas, como o oncologista Cristiano Argenti, de Apucarana. “A situação é preocupante, principalmente, porque a população está envelhecendo. Quanto maior a idade, maiores são os riscos de se desenvolver uma neoplasia maligna. Portanto, infelizmente, o número de casos na população deve aumentar ao longo dos próximos anos”, afirma.
A faixa etária com maior número de casos na 16ª RS é entre 60 e 69 anos, com 112 casos fatais em 2017, ou 24,1% do total. A faixa etária entre 70 a 79 anos registrou uma morte a menos no período, consistindo em 23,9%. Já 92 pessoas acima dos 80 anos faleceram em decorrência da doença, o que resultou em 19,8% dos casos.
“Por ser uma doença difícil de se prevenir, a principal medida de política pública que precisa ser adotada em função do câncer é a facilitação no acesso a exames e diagnóstico. A descoberta da doença de forma precoce é fundamental para o tratamento”, ressalta o médico.
A maior parte dos casos fatais de neoplasias consiste em câncer de pulmão, com 67 mores mortes registradas na 16ª RS em 2017. Depois aparece o câncer de estômago, que vitimou 37 pessoas no período, seguido por problemas na próstata e na mama, com 34 e 30 casos, respectivamente.
“A população precisa fazer os exames preventivos e também estar atenta ao próprio corpo. Caroços, manchas diferentes na pele e dificuldade para urinar, por exemplo, podem ser sintomas”, afirma Argenti.
O Paraná registrou, em 2015, 70.839 óbitos. Destes, 20.379 (28,8%) foram causados por problemas cardiovasculares. A segunda posição ficou justamente com os cânceres, responsáveis por 13.615 fatalidades (19,2%). Já o índice do país é de 16,6%. Com o avanço da doença, em pouco mais de uma década as neoplasias serão as maiores responsáveis por óbitos no Brasil e no Paraná. Entre 1996 e 2015, o número de mortes por câncer cresceu 94,3% no estado.