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‘Cantada’ no whats vira caso de polícia

Vanuza Borges

| Edição de 27 de julho de 2017 | Atualizado em 26 de julho de 2017

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Divulgação de conversas íntimas denunciada na 16ª SDP ganhou repercussão nacional 
‘Cantada’ no whats vira caso de polícia
VANUZA BORGES
APUCARANA
Uma situação íntima que extrapolou a esfera privada e virou caso de polícia em Apucarana acabou ganhando repercussão nacional. O caso envolve uma conversa de WhatsApp entre uma jovem insinuando a possibilidade de um relacionamento extraconjugal com um homem casado. A esposa do alvo da cantada, revoltada, imprimiu a conversa e pediu para entregar em frente ao trabalho da ‘candidata à amante’.
Um cartaz também foi colocado em frente ao trabalho da jovem, que registrou um boletim de ocorrência por difamação na 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana. Segundo a polícia, não é raro problemas estritamente pessoais ‘caírem’ no balcão da delegacia.
O delegado-chefe José Aparecido Jacovós afirma que delegacia não é local para “lavar roupa suja”. "Uma estava se relacionando com o marido da outra, e virou uma verdadeira lavação de roupa suja, e acham que a Polícia Civil tem obrigação de resolver esse tipo de situação ", diz, observando, entretanto, que o caso se enquadra como crime de difamação.
A divulgação da troca de mensagens - em que a jovem admite que sabe que o interlocutor é casado e admite também ter um relacionamento - acabou viralizando também na internet.
O delegado salienta que a prioridade da Polícia Civil é a investigação e solução de crimes de maior potencial ofensivo. "A polícia já está assoberbada para resolver crimes graves e tem que ficar perdendo tempo com esse tipo de situação. Temos que colocar um escrivão para tomar depoimento, intimar testemunhas, é um transtorno, mas, como são crimes, acabam vindo parar aqui”, sublinha.
Jacovós comenta ainda que, além desses conflitos pessoais, quase todo mês aparece uma falsa comunicação de crime baseada numa história fantasiosa, tomando tempo e recursos da Polícia Civil. Um caso citado ocorreu em maio e envolve uma empresária da cidade, do setor de confecções, que inventou uma situação de sequestro para família.
Na verdade, segundo o delegado, a mulher viajou para São Paulo por livre e espontânea vontade. A equipe de investigação, junto com o Grupo Antissequestro da Polícia Civil do Paraná, rastreou o celular, que apontou a localização. Ao ser localizada, alegou que estava passando por problemas emocionais. “Neste caso, assim como em outros, vão responder por falsa comunicação de crime, que prevê pena de até dois anos”, afirma.
Jacovós, porém, revela que a principal causa de falsa comunicação de crime envolve furtos de veículos, que tem como intuito dar o golpe no seguro.