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Casos de diabetes aumentam 15%

Vanuza Borges

| Edição de 10 de abril de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Casos de diabetes aumentaram 15% em cinco anos na 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana. O percentual é referente ao número de cadastros acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A média mensal de casos acompanhados no ano passado foi de 10,37 mil. Os números englobam tanto diabetes tipo 1 quanto tipo 2, que está associado ao estilo de vida. A diretora da 16ª RS, Clara Lemes de Oliveira, observa que esses números são uma amostra, uma vez que representam apenas as pessoas cadastradas no sistema público de saúde. Pacientes que fazem o tratamento pela rede particular não constam, porque a notificação não é obrigatória.

Imagem ilustrativa da imagem Casos de diabetes aumentam 15%

O endocrinologista e metabologista José Cervantes Loli, de Apucarana, explica que no diabetes tipo 1 ocorre uma destruição aguda e rápida das células do pâncreas, onde há falência abrupta na produção de insulina. Já no diabetes tipo 2, a lesão destas células é lenta e gradual podendo o diabético viver muitos anos sem utilizar insulina. “O diabetes tipo 1 ocorre mais em crianças, adolescentes e adultos jovens. Já o diabetes do tipo 2 ocorre normalmente em pessoas acima de 40 anos”, afirma.

No caso do diabetes tipo 2, o especialista comenta que a genética é determinante para o surgimento do diabetes, porém, a doença eclodirá em situações de estresse, rotina de má alimentação e sedentarismo. “Existem casos atuais onde não se vê pessoas diabéticas na família e mesmo assim alguém desenvolve o diabetes do tipo 2. Estudos indicam que neste caso está relacionado com a obesidade”, diz.

De acordo com o endocrinologista, o diabetes tipo 2 está relacionado também ao estilo de vida moderno onde cada vez mais se exige menos esforço físico. Além disso, ele acrescenta o uso de produtos refinados como o açúcar, a farinha de trigo e os alimentos gordurosos como os fast foods, que levam ao esgotamento do pâncreas, órgão produtor de insulina.

Como prevenção, o especialista sugere alimentação fracionada e rica em fibras. “Deve-se comer no mínimo 6 a 8 vezes ao dia em porções moderadas. Escolher alimentos no seu estado original como farinha do trigo integral, arroz integral e vegetais crus ou se cozidos, que sejam ao dente”, aconselha. No cardápio, o endocrinologista indica ainda o consumo de frutas com fibras e bagaços ao invés de sucos de frutas. “Este perfil de alimentação rico em fibras possibilita pouco aumento na glicemia e pouco desperdício de insulina, evitando-se assim o diabetes ou auxiliando no controle desta doença”, afirma.

Além de ficar atento ao cardápio, Cervantes aconselha a prática regular de atividade física. “Atividade física diminui a formação de gordura e aumenta a musculatura do corpo, favorecendo a queima de glicose (glicemia) e impedindo o esgotamento do pâncreas, para que continue produzindo insulina”, assinala.

TRATAMENTO

Sobre o tratamento, além das mudanças alimentares e da atividade física, Cervantes orienta a perda de peso, quando for o caso, para evitar complicações futuras. “É importante também ficar atento com o surgimento de casos de depressão, comumente associados ao enfrentamento e elaboração do diabetes, que é uma doença crônica”, alerta.

Segundo ele, a depressão quando não tratada aumenta muito a glicemia devido ao esgotamento mais rápido do pâncreas, que passa a não mais produzir insulina.

A diretora da 16ª RS, por sua vez, acrescenta que o diabetes é uma doença muito onerosa não apenas para os indivíduos afetados e suas famílias, mas também para o sistema de saúde. “Os custos não são apenas econômicos, como a perda de qualidade de vida”, pontua.

Mudança total de hábitos

Há dois anos, a apucaranense Maria Eloísa Sant’Anna Biacchi, 66 anos, mudou completamente sua rotina alimentar. A mudança ocorreu após receber o diagnóstico positivo para diabetes. Com casos na família, ela nunca se preocupou muito com a possibilidade de desenvolver a doença, mesmo quando foi alertada que estava com pré-diabetes. Apesar de comer frutas e legumes, no cardápio também havia espaço para doces (muitos doces), massas e para a cervejinha do final de semana.

Depois da confirmação do diabetes, Maria Eloísa resume o que aconteceu com sua rotina: “mudou tudo”. A primeira mudança ocorreu na alimentação. “Cortei o doce e também reduzi meu prato pela metade”, revela. Com as mudanças, em dois anos, ela emagreceu 18 quilos. “Vivia fazendo regime e nunca consegui emagrecer, mas quando descobri que estava com diabetes, mudei completamente”, revela.

O motivo, Maria Eloísa não esconde. “Tenho medo das complicações”, confidencia. Por outro lado, ela confessa que a autoestima está em alta. “Que mulher que não gosta de emagrecer”, brinca. Entretanto, a apucaranense adverte os exageros à mesa. “Se eu pudesse, faria tudo diferente, porque assim eu poderia continuar comendo tudo que comia antes. Agora, eu não posso”, afirma.

Maria Eloísa avalia que a vida social ficou um pouco comprometida, mas vale a pena a cautela. Para não ceder às guloseimas, ela evita de ir a pizzarias e nunca mais tomou bebida alcoólica. Por causa do diabetes, ela toma três medicamentos por dia. “Hoje em dia, o diabetes já está controlado, mas preciso tomar os remédios”, diz

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