Sessenta e uma gestantes foram diagnosticadas com sífilis no ano passado na área da 16ª Regional de Saúde (RS) de Apucarana. O número é 24% maior que o registro do ano anterior e segue uma tendência nacional que preocupa o Ministério da Saúde, que lançou semana passada uma carta-compromisso assinada por 19 associações e conselhos de saúde ações estratégicas para redução da sífilis congênita no País. Entre 2014 e 2015, o número de casos cresceu 20,9% no Brasil e o governo já trata a doença como epidemia.
O foco é detectar precocemente a doença no início do pré-natal e encaminhar imediato tratamento com penicilina. No ano passado, a região da 16ª RS registrou 61 casos de sífilis em gestantes. Neste ano, até a última sexta-feira, foram 52 notificações.
Com 21 notificações, o município de Apucarana, tem o maior número de casos, seguido de Arapongas, que tem 18 notificações. No município, o número de confirmações neste ano já superou todo registro do ano passado, quando 15 gestantes foram detectadas com a doença. Entre 2014 e 2015, o aumento de casos no município foi de 66%.
Para Gigliola Poliseli Furtado, coordenadora do Centro de Atendimento Integrado à Mulher (Cisam), o aumento do número de casos da doença tem um componente comportamental importante. “É uma doença decorrente da falta de cuidado com prevenção de DSTs e da permissividade sexual”, comenta.
Ela destaca que o exame para detecção da doença é obrigatório e é realizado trimestralmente nas gestantes atendidas pelo sistema de saúde. Bem por isso, entre as medidas destacadas pelo Ministério da Saúde é o incentivo a realização do pré-natal precoce; ampliação do diagnóstico (por meio de teste rápido) e tratamento oportuno para a gestante e seu parceiro.
O tratamento para doença é realizado por meio de penicilina, um antibiótico por via injetável, em três aplicações. “Além da gestante, o parceiro também precisa se tratar ou a mulher volta a ser contaminada e isso ocorre com frequência”, comenta.
Entre as medidas a serem adotadas em nível nacional também estão ações de educação permanente para qualificação de gestores e profissionais de saúde.
A detecção da sífilis é feita por meio de testes rápidos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Por isso, o Ministério da Saúde aumentou em mais de quatro vezes a quantidade de testes distribuídos a estados e municípios, passando de 1,1 milhão, em 2001, para 6,1 milhões de testes, em 2015.