Lojas do Terminal Urbano de Apucarana foram alvo ontem de operação da Polícia Civil. Hotéis e motéis também foram fiscalizados. Um hotel na área central, inclusive, foi interditado temporariamente.
Batizada de Saturação, a fiscalização no local tinha por objetivo checar denúncia recebida da Associação Brasileira de Direito Autoral (ABDA). Policiais vistoriam as lojas e apreenderam cerca de 5 mil CDs e DVDs piratas. Todo o material recolhido foi encaminhado para a sede da 17ª Subdivisão Policial (SDP), de Apucarana. Os donos das lojas foram notificados e deverão comparecer à delegacia para prestar esclarecimentos.
A Operação Saturação teve início por volta das 14h30 e chamou a atenção de clientes e usuários do transporte coletivo. “Na denúncia, a Associação Brasileira de Direito Autoral classifica o Terminal de Apucarana como ponto livre de venda de CDs e DVDs piratas. Por isso, viemos aqui hoje (ontem) para verificar a situação”, afirma o delegado José Aparecido Jacovós, que comandou a operação junto com o delegado-adjunto Marcos Felipe Rodrigues.
De acordo com Jacovós, os lojistas, que possuíam material pirata em seus estabelecimentos, vão responder por violação de direitos autorais. Dentre as lojas fiscalizadas, cerca de 10 tinham DVDs e CDs piratas. Em todas as abordagens, os produtos estavam expostos no balcão. “A fiscalização também teve como objetivo verificar denúncias de receptação de produtos roubados, em especial celulares”, revela. Nenhum tipo de material deste porte foi encontrado.
Uma das comerciantes notificadas, que preferiu não revelar o nome, disse que a presença dos policiais civis surpreendeu. Apesar de reconhecer que os produtos eram ilícitos, ela garante que eram os itens mais solicitados na loja. “É o que mais vendemos. É o nosso ganha-pão”, garante. Ainda perplexa com a fiscalização, não soube responder se voltará ou não a vender CDs e DVDs piratas.
Algumas lojas, quando perceberam a chegada da Polícia Civil, fecharam as portas. Por outro lado, o espaço abriga comerciantes que não vendem CDs e DVDs. “Deixamos de vender há cerca de cinco anos. Calculamos bem e concluímos que não dá lucro. Só atrai pessoas que, muitas vezes, aproveitam para furtar”, comenta um lojista, que trabalha no Terminal há 18 anos.
O aposentado Argemiro dos Santos, 81 anos, avalia que a operação da polícia não vai acabar com a venda. “Não acaba, mas a gente espera que diminua, porque é ilícito vender esse tipo de produto”, argumentou.
No Terminal, a Polícia Civil aprendeu ainda uma máquina caça-níquel numa banca de revista, que foi fechada.
Hotéis e motéis são fiscalizados
A Operação Saturação também teve como foco a fiscalização de hotéis na área central e motéis no município. A situação mais crítica foi encontrada no Hotel São Paulo, que foi interditado temporariamente pela Polícia Civil. O local é alvo de denúncias de uso de drogas, tráfico, prostituição e exploração de idosos. Em três quartos foram encontrados onze pedras de crack e três porções de maconha.
Nove pedras de crack estavam no interior do quadro do porteiro do hotel, que já respondeu por tráfico e estava sob investigação novamente.
Durante a fiscalização, a Polícia Civil constatou diversas irregularidades, como a falta de alvarás da própria Polícia Civil, Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros. “Diante das condições do local e da falta de alvará, o hotel está proibido de receber novos clientes”, afirma o delegado-chefe José Aparecido Jacovós.
A Vigilância Sanitária também esteve no local e abriu um auto de infração. Hoje de manhã, a Vigilância irá ao hotel novamente acompanhada da Assistência Social, uma vez que seis idosos moram no local e precisam realocados, caso haja interdição