O alto volume de chuvas registrado nos últimos dias tem prejudicado o cultivo de café na região. Prontos para serem colhidos, os grãos são mantidos nos pés porque a chuva impossibilita o trabalho dos agricultores. Isso resulta em um fruto de menor qualidade, perdendo algumas características importantes. A porcentagem de lavoura colhida, que atualmente é de 8%, deveria estar em torno de 15%. A chuva também derruba alguns grãos no chão, deixando-os vulneráveis à fermentação.
A área rural ocupada pelo plantio do café nos municípios cobertos pelo escritório regional da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) é de aproximadamente 3,2 mil hectares. O valor é praticamente o mesmo registrado na safra do ano passado. A expectativa da Seab para a produção também se mantém por enquanto: espera-se colher entre 1,4 e 1,5 tonelada por hectare, com uma produção total de até 4,8 mil toneladas.
De acordo com Adriano Nunomura, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão vinculado à Seab, ainda é prematuro dizer se a produtividade será afetada. “Estamos mantendo a expectativa inicial porque ainda precisamos coletar mais informações entre os agricultores. Só assim poderemos saber se a expectativa irá se confirmar, ou se teremos que rever os números”, explica.
Nunomura destaca ainda que a chuva derruba parte da produção no chão. Esses grãos acabam também perdendo qualidade, além de estarem sujeitos à fermentação. “O café no solo fica mais vulnerável à umidade. Quando há a fermentação no solo, praticamente todo o café fica inutilizável”.
Apesar de causar problemas, as chuvas não devem impactar no preço do café. Isso acontece porque o grão é uma commodity, ou seja, tem o seu preço regulado pelas variações do mercado. Como as chuvas foram prejudiciais apenas em uma área restrita (lavouras de Minas Gerais e Espírito Santo, por exemplo, não registraram o problema), os valores de compra e venda seguem inalterados. A saca de 60 quilos de café beneficiado, ontem, era cotada a R$ 397 em Apucarana.
LAVOURA
A produtora Neide Valentim, de Apucarana, conta que as chuvas têm atrapalhado bastante. “Vemos os pés carregados, prontos para a colheita, mas não podemos trabalhar por conta da chuva. Ainda não tivemos registro de queda na produção mas, se continuar chovendo, certamente colheremos menos do que o esperado”.
Segundo ela, o prejuízo só não é maior por conta da técnica utilizada na propriedade dela, de quase dois hectares. “Nós deixamos os cafés secarem no pé, porque vemos mais vantagens assim. Mas muita gente colhe os grãos maduros e deixam secando no terreiro. Infelizmente, para esses produtores o prejuízo foi maior, porque o café não teve sol suficiente para secar nesses dias, além dos grãos provavelmente terem fermentado, gerando perdas”, diz.