A colheita de trigo da safra 2016/17 começou no Vale do Ivaí. Com mais de 30% da área de 121 mil hectares colhidos, os resultados até agora estão aquém do esperado pelos produtores. As primeiras lavouras renderam em média 100 sacas de 60 quilos por alqueire, 30 sacas a menos que a média prevista de 130 sacas. O quadro é de decepção na região de Ivaiporã, e a tendência é que com o avanço das colheitadeiras, o índice continue baixando.
Segundo o agrônomo do Deral, Sergio Carlos Empinotti, além da estiagem, as lavouras de trigo também foram prejudicadas com a entrada de uma massa de ar polar, na segunda quinzena de julho e geou em várias regiões, principalmente na região de Pitanga. “Na região mais ao norte a geada foi moderada. No entanto, a seca prejudicou mais do que a geada, porque afetou toda área de trigo", relata Empinotti.
Na fase crítica da seca, mais de 70% da área plantada se encontrava em fase de frutificação e 30% em floração. “Com a falta de chuva os grãos não se formaram como esperado, consequentemente a perda de peso. Porém a qualidade do trigo até agora não é ruim. Temos que aguardar o avanço da colheita para uma análise mais ampla”, assinala.
O agricultor Adilson Zeferino, da região de Ouro Verde, em Ivaiporã, colheu nesta semana em área de 9 alqueires, apenas 70 sacas por alqueire, menos da metade da produtividade do ano passado, quando a média dele foi de 163 sacas.
“Trigo não dá mais. Não é só pela quebra deste ano, a gente sabe que não é sempre que o trigo dá. Mas pelo preço de mercado que está muito ruim e custo de produção a cada ano só sobe. Há três anos eu gastava R$ 2,5 mil por alqueire e vendia trigo a R$ 50. Hoje o investimento é de R$ 4,5 mil e o preço do trigo é R$ 33. Isso se tiver mercado, geralmente quando inicia a colheita ninguém quer comprar”, argumenta.
Zeferino afirma que para a próxima safra de inverno, a tendência dos produtores na região é diminuir o plantio de trigo.
“Eu mesmo estou pensando em partir para a aveia. O custo de produção é bem menor e o preço está igual ao trigo. Além disso, a aveia como forma de adubação para a soja é melhor, porque dá mais palhada”, completa Zeferino.
Preço do milho preocupa Conab
Agropecuária seguirá como um dos motores da economia brasileira e deverá recuperar a participação no PIB em 2017, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a companhia, no entanto, alguns produtos terão que equilibrar a relação entre oferta e demanda para garantirem a rentabilidade aos produtores. O produto que mais preocupa é o milho, com um safra atual recorde e com um estoque que chega ao triplo do registrado na última safra de 2015/2016.
De acordo com a pesquisa da Conab, os preços domésticos do milho encontram-se abaixo do preço mínimo, sobretudo no Mato Grosso, estado com maior sensibilidade ao custo logístico. Em Sorriso (MT), as cotações do milho em julho fecharam a média mensal em R$ 12 por 60 Kg e com tendência de baixas ainda maiores, com o decorrer da colheita da segunda safra. O preço mínimo no estado é R$ 16,50.
A Conab aconselha o produtor a diminuir a área plantada ainda mais do que a projeção de 2% a 5% para que seja atingida uma produção inferior a pelo menos 90 milhões de toneladas. (FOLHAPRESS).