Uma rodovia que não permite erros. É assim que o gerente de um posto de combustíveis à margem da PR-444 descreve a rodovia. Ronaldo Campos, de 54 anos, tem como endereço de trabalho o km 03 da rodovia desde a década de 1990, quando foi inaugurada a obra, e ontem, presenciou mais um acidente. Por volta das 9 horas, uma mulher, que conduzia uma motocicleta, ficou ferida ao ser atingida por um caminhão F4000. Zulmira Pereira, 43, foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Minutos depois, na mesma rodovia, o condutor de um HB20, com placas de Santa Catarina, Marcos Dias Alexandrino, 36, não teve a mesma sorte. Ele bateu de frente com um caminhão e morreu ainda no local. É a quarta vítima fatal de acidente na rodovia em menos de 50 dias.
Segundo testemunhas, Alexandrino perdeu o controle da direção, cruzou a pista e foi atingido em cheio por um caminhão que vinha na via contrária. O motorista do caminhão, Israel Alves da Silva, de 63, sofreu pequenas escoriações e dispensou atendimento ainda no local do acidente.
“A PR-444 é uma rodovia rápida e perigosa. Já cansei de ver acidentes aqui em frente ao posto, por exemplo”, revela Campos. Na avaliação do gerente, que passa pela rodovia diariamente para trabalhar, por ser uma rodovia dupla e sem divisória, os acidentes frontais são comuns. “Como a pista é dupla, os motoristas passam em alta velocidade. Por isso, quando acontece de invadir a pista contrária, por algum problema, ocorrem as batidas frontais”, sublinha.
Além disso, Campos observa que os dias de chuvas são sinônimos de acidente. “Quando chove, não dá dez minutos e a gente já vê o resgaste passando. Já vi tantas vítimas que enche um ônibus. Perdi, inclusive, um funcionário há três anos”, afirma. O acidente com o funcionário aconteceu em um dia de chuva.
Como usuário da rodovia, ele comenta que a chuva deixa a pista mais perigosa. “Como é dupla nas duas mãos e não tem divisória nem canteiro, é comum formar lâminas d’água”, diz. Com a aquaplanagem, os carros deslizam na pista e invadem a mão contrária.
O primeiro acidente fatal registrado este ano na PR-444 ocorreu no dia 8 de janeiro. A situação envolveu uma Saveiro com uma caminhonete Hilux. Na colisão morreu Mizael Antunes do Prado, de 25 anos. Uma semana depois, um outro acidente entre uma Saveiro e um caminhão casou a morte de José Alves Teles, 59.
Na última segunda-feira, dia 13 de fevereiro, um acidente entre dois veículos, próximo a Mandaguari, resultou na morte da estudante de direito, Joice Aline Lopes, 22. A jovem, que estava internada no Hospital Metropolitano de Sarandi, morreu na última quarta-feira.
DIVISÓRIA
No cronograma da Concessionária Viapar, responsável pela PR-444, disponível no site da empresa, estão previstas duas obras para a rodovia: alargamento e implantação de barreira de concreta. As obras, que inicialmente tinham previsão de término para 2017 foram rediscutidas e só serão iniciadas em 2019. O PR-444 tem 38,9km.