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Colônia japonesa comemora 80 anos em Apucarana

Fernanda Neme

| Edição de 12 de junho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Embora o Japão tenha enviado seus primeiros imigrantes ao Brasil em 1908, os primeiros japoneses pisaram em 1936 em áreas de terra que futuramente iriam se tornar Apucarana. De início apenas dez famílias, com cerca de 80 pessoas, enfrentaram o desafio de derrubar matas, construir suas casas e iniciar produção de café. Oitenta anos depois dessa primeira leva de pioneiros, estima-se que Apucarana tenha hoje mais de 5 mil moradores descendentes de japoneses.

No mesmo ano, em 1936, foi iniciou o projeto Cidade Yamato, que previa a entrada de 100 famílias de imigrantes japoneses. Apesar do número de pessoas não ter sido atingido, o projeto Yamato se propagou, formando cinco seções espalhadas por Apucarana.

Imagem ilustrativa da imagem Colônia japonesa comemora 80 anos em Apucarana

Entre os pionieros que cresceram junto com a história da colônia, estão a agricultora Massako Kayukawa Suzuki, de 82 anos, e o irmão, o ex-vereador Satio Kayukawa, 72 anos. “Nossa família e as outras vieram por conta das consequências da 1ª Guerra Mundial”, conta Satio.

Massako conta que o pai chegou em abril de 1936 e acredita que eles tenham sido os primeiros imigrantes a chegar em Apucarana. A primeira casa da família, construída no sítio onde hoje fica do Asilo São Vicente de Paulo, tinha paredes feitas de palmito, material abundante na época e de fácil manuseio que, com o tempo foi substituída pela madeira de lei e peroba.

Sem comércio na cidade, o pai de Satio e Massako ia a pé até Rolândia fazer compras para casa. “Ele ia em um dia e voltava no outro. Depois ele comprou uma carroça, mas mesmo assim tudo era mais difícil naquele tempo”, acrescenta ela.

Massako é casada com o pioneiro Massamitsu Suzuki, 80 anos, e ainda participa das aulas de dança Bon Odori. “Eu lecionava as aulas de Bon Odori, mas com o passar dos anos voltei a ser aluna”, relembra a pioneira.

Quem também conta um pouco da história da imigração japonesa na cidade é o dentista apucaranense Paulo Yoshii, 73 anos, também de família pioneira. Ele é neto de Sojiro Yoshii e filho Haruo Yoshii. “Morávamos a 2 km da cidade, era tudo mato até a Vila Regina. Quando andávamos pela cidade era comum cruzar com animais selvagens, como onça, jaguatirica, veados”, recorda.

Para Yoshii, a maior dificuldade em manter a cultura japonesa é pelas facilidades que o mundo oferece hoje.

“Os japoneses são respeitados pela disciplina, seriedade, mas demos mais mordomias para os nossos filhos e eles podem acabar perdendo o foco da tradição japonesa. É por isso, que temos a Acea, para resgatar as tradições da cultura”, reforça.

Uma escola para manter a tradição

Para manter as tradições, a colônia japonesa criou, em 1950, Escola Nipo-Brasileira, fundada em 1950. No local, segundo a professora de japonês Akemi Tanaka, 44 anos, são ofertadas aulas de culinária, ikebana, a arte da dobradura de papel (origami), música japonesa, dança, ábaco japonês (soroban), caligrafia, taikô, entre outros.

Akemi, que trabalha há 24 anos na escola, conta que atualmente dos 45 alunos, 36% são de não descendentes, o que mostra como a cultura está arraigada no cotidiano da cidade.

“Hoje a cultura japonesa é está muito enraizada na nossa cultura brasileira. A culinária é um exemplo. No Brasil tem muitos restaurantes japoneses”, explica.

Incentivada pela cultura da família, a estudante de Matemática, Nikole Arashi Ishii, 19, começou a lutar judô com apenas 6 anos e aos 12, passou a frequentar as aulas de taiko, dança tradicional do Japão. Nikole é filha do professor de judô Marcelo Ishii, 49, e a mãe Márcia Arashi, 48, descendentes de japoneses e não deixou de lado as tradições da família. “Acho importante levar adiante as tradições, já que meus antepassados batalharam tanto por nós”, ressalta a jovem.

Nikole frequenta as aulas de taiko na companhia do irmão Aaron, 13, e se prepara para se apresentar durante a 22ª edição da Festa da Cerejeira. Nikole também é formada nihongo, idioma falado no Japão. “Acho muito interessante a cultura do Japão e pretendo sempre mantê-la viva”, reforça.

Festa da Cerejeira chega a 22ª edição

A popularização de pratos como sukyaki e yakissoba, hoje prato típico até em festas juninas, se deve muito a Festa da Cerejeira, que chega neste ano a 22ª edição e inicia na próxima quinta-feira na Associação Cultural e Esportiva de Apucarana (Acea).

O tradicional evento da cultura japonesa, que é também a maior festa popular da cidade, inclui na programação apresentações artísticas, festival de gastronomia japonesa, feira de pequenos produtores, salão do automóvel e outras atrações da cultura oriental e regional.

A cerimônia de abertura do evento será no dia 16, às 19h30, na sede social da Acea. Uma das atrações do primeiro dia é a apresentação dos praticantes de Bon Odori, dança famosa no Japão. “O grupo é formado por japoneses e pessoas de outras etnias, e está bem afinado. A turma vem treinando há mais de dois anos”, comenta Paulo Yutaka Yoshii, presidente executivo da Acea.

Para esta edição, que marca também os 80 anos da imigração japonesa em Apucarana, Yoshii diz que é esperado um público de 30 mil pessoas de todas as regiões do país. Durante a festa está previsto o lançamento da pedra inicial da Praça do Japão, que será construída no entorno do Lago Jaboti para homenagear a contribuição da colônia japonesa na cidade.

Quem prestigiar o evento, que mobiliza a colônia, vai poder passear pelas duas tendas cobertas de 2.500 m, para caso chova nos dias da festa, com estandes de automóvel, comércio em geral, como roupas e objetos, e praça de alimentação, com destaque para os pratos da cozinha japonesa, tais como o sukyaki, yakissoba, udon, sushi, sashimi e tempurá. “Serão 25 estandes gastronômicos espalhados na praça com muita variedade”, afirma.

O presidente da Acea destaca as apresentações de taikô, sakurá odori, bon odori e outras atrações da cultura oriental e também da cultura regional. “Todos os dias teremos atrações diferentes para o público que aprecia a cultura japonesa”, reforça.

O evento também vai contar com apresentações de duplas sertanejas, cantores e grupos de dança.

Imagem ilustrativa da imagem Colônia japonesa comemora 80 anos em Apucarana