O produtor de hortaliças Carlos Terada, de Apucarana, após enfrentar perdas de 40% na produção no início do ano, tem o prazer de ver os canteiros viçosos novamente. Por semana, ele, com ajuda de três pessoas, colhe cerca de 200 caixas de verduras e legumes por semana, como alface, almeirão, acelga, brócolis, beterraba, cenoura, gengibre e aspargo. Além de vender os produtos na Feira do Produtor, às quartas-feiras e aos sábados, ele também fornece para o programa Compra Direta.
Para conseguir atender a demanda, o produtor trabalha, em média, 12 horas por dia. Com o clima estável e a produção voltando à normalidade, o clima é de otimismo. “Estou confiante com a produção”, diz. Na propriedade de dois hectares, seu Carlos tem mais de oitenta canteiros. “Na feira, o pessoal gosta de variedade”, justifica.
Quem também sentiu diferença na produção nos últimos 30 dias é o produtor Edmilson Almendro Rodrigues, que também trabalha com hortaliças há 25 anos em Apucarana. “Em janeiro e fevereiro, as perdas chegaram a 50% nos canteiros. Na estufa, a quebra de produtividade foi menor, porque o controle de produção é maior. A partir da segunda quinzena de abril começamos a recuperar a produção”, diz.
Por dia, ele, com auxílio de sete pessoas, sendo dois funcionários, são responsáveis por embalar cerca de 400 pés de alface por dia, metade da produção vem das estufas hidropônicas. Na chácara da família, são colhidas também cerca de 50 dúzias de rúcula por dia.
Jandira Valmorbida, economista doméstica, da Emater Apucarana, observa que com a mudança de clima não só o volume de produção aumentou como também a aparência melhorou, em especial, das hortaliças plantadas a céu aberto. Com a previsão de inverno mais rigoroso e com pouca chuva, espera-se que o outono mantenha índices razoáveis de chuva, o que é favorável para o setor.
PERFIL
A economista comenta que a produção de olericultura no município, ou seja, legumes e verduras, acontece em pequenas propriedades. Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), na safra 2013/2014, o município contava com área de 100 hectares. O valor bruto de produção (VBC) foi de R$ 4.156,933,82, ou seja R$ 41. 569,34 /Ha.
“A olericultura no município, apesar de sua pouca expressão econômica, tem grande importância social, uma vez que a atividade adapta-se muito bem em pequenas áreas e pode ser iniciada até mesmo com poucos investimentos”, assinala.
Programas incentivam venda direta
De acordo com a economista da Jandira Valmorbida, a procura é constante de novos produtores interessados na atividade. “Parte destes produtores são beneficiários do Crédito Fundiário, que veem na olericultura uma oportunidade de viabilizar seu empreendimento no campo”, diz.
A especialista avalia que o mercado consumidor de Apucarana é atrativo. Segundo ela, o produtor além da venda no varejo, merenda escolar, pode atender diretamente restaurantes, hotéis e clientes na Feira do Produtor, que acontece ao lado do Terminal urbano, e a também na Feira de Orgânicos, que é realizada às quintas-feiras na “Praça da Onça”.
Jandira avalia que o sucesso da atividade está diretamente relacionado com as condições climáticas, investimentos em novas tecnologias, como cultivo protegido, irrigação e mão de obra qualificada, que contribuem para o aumento da produtividade, qualidade dos produtos e aceitação final. “Além disso, a organização dos produtores é essencial”, diz.