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Com expectativa de reforma, aumenta procura por aposentadoria rural

Renan Vallim

| Edição de 26 de março de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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As mudanças propostas pela nova Reforma da Previdência têm causado apreensão entre os trabalhadores e produtores rurais. Muitos deles, prevendo dificuldades caso as novas regras sejam aprovadas, têm gerado uma ‘corrida’ às agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para solicitar a aposentadoria ainda na lei atual. De acordo com o sindicato da categoria em Apucarana, houve um aumento de aproximadamente 30% nos pedidos de documentação para dar entrada no benefício desde janeiro.

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A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Apucarana, Laide Lopes Suzuki, justifica que o aumento na demanda do sindicato acontece porque, caso aprovada, a nova Previdência Social deverá prejudicar o trabalhador do campo. “Seremos os maiores prejudicados pela nova Reforma, com certeza. É importante dizer que não somos contra uma reforma, só gostaríamos que o Governo Federal tivesse um pouco mais de sensibilidade com o trabalhador rural”, diz.
“O agricultor forma uma classe um pouco diferenciada: trabalha a céu aberto, faça chuva ou faça sol, de domingo a domingo, do raiar ao pôr do sol. Muitas vezes, começa trabalhando desde criança, ajudando os pais na lavoura. Isto acontece principalmente na agricultura familiar, que forma a maior parcela dos trabalhadores do campo e que produz a comida que vai para a mesa do brasileiro”, conta.
Ela afirma que o sindicato, que representa em torno de 6 mil agricultores apucaranenses, atende pelo menos uma pessoa a cada dois dias buscando informações para a aposentadoria. “A maioria busca a declaração de atividade rural, importante para conseguir o benefício. Boa parte é de pessoas que trabalharam no campo e que hoje estão na cidade, querendo dar entrada na chamada aposentadoria mista”, diz.
Em Ivaiporã, sindicatos e escritórios de advocacia também têm registrado aumento na demanda de pessoas buscando dar entrada nos pedidos de aposentadoria. De acordo com Nilson Silva, funcionário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São João do Ivaí, a concessão de benefícios entre os associados mais que triplicou nas últimas semanas.
“O que aumentou mesmo foi o pedido de aposentadoria por tempo de serviço. O pessoal está com medo da reforma e estão procurando o sindicato para comprovar o tempo de trabalho no campo. Nós temos ajudado pessoas até com 48 anos de idade, desde que consiga comprovar o trabalho rural dos 12 anos de idade até a data em que foi embora para a cidade. Então ele soma o tempo de serviço rural e o tempo de serviço urbano, fechando os 35 anos de contribuição e consegue se aposentar. Cinco pessoas, pelo menos, têm nos procurado todos os dias nesta situação”, relata Silva.