Os dias de alta acentuada do feijão podem estar no fim. Em menos de um mês, a cotação média da saca de 60 quilos paga aos produtores da região de Ivaiporã registrou uma queda 32,30%, passando de R$ 325,00 para R$ 220,00 por conta da expectativa da safra, que começa em abril. Nas gôndolas dos supermercados, o quilo do produto que chegou a custar R$ 9,89 em fevereiro, agora está na casa dos R$ 7.
Conforme o agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral) de Ivaiporã, Sérgio Carlos Empinotti, no Paraná a expectativa é de aumento de 21% na produção da leguminosa na segunda safra, que deve passar de 281.558 toneladas colhidas no ano passado para 339.704 toneladas nesta safra. “As condições de plantio foram boas com o retorno das chuvas, a previsão é de aumento na produção”, comenta.
Na regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) de Ivaiporã, apesar do preço de mercado ter sido bastante favorável ao produtor na época do plantio da segunda safra, a área plantada com feijão teve redução de 71% comparada a temporada passada. Segundo Empinotti, nesta safra o grão ocupa nos 22 municípios da regional menos de 2 mil hectares. Na safra 2017/20218, a área ocupada foi de 6,9 mil ha.
“Como o feijão ficou muito tempo com os preços abaixo do custo de produção, o pessoal não se precaveu e, na hora do plantio, não havia sementes disponíveis”, relata Empinotti.
A cada novo levantamento das áreas plantadas, o plantio da cultura diminui um pouco mais na regional de Ivaiporã. “Já chegamos a ser o maior produtor de feijão carioca do Brasil com aproximadamente 70 mil hectares de cultivo. Os baixos preços de mercado, em algumas temporadas até menores que o custo de produção, desestimularam nosso produtor”, relata.
Na região a colheita, deve começar dentro de 30 dias, e a planta se encontra em fase de floração e frutificação. A média da região é de 60 sacas por alqueire e as condições de lavoura são consideradas boas. “Quando bem tratado, o feijão pode chegar até a 80 sacas por alqueire”, destaca Empinotti.
Com a cotação do produto em queda, a tendência é que nos próximos dias o consumidor pague ainda mais barato pelo feijão. Em alguns supermercados da região o quilo do produto já está sendo remarcado por volta de R$ 6,00. “O feijão não pode ficar velho, fica na prateleira perde. Então perdendo dinheiro os supermercados vão ter que vender agora, o preço que manda é o momento”, explica Empinotti.