As exportações feitas por municípios da região para países da União Europeia (UE) cresceram 116% no primeiro bimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. A alta ocorre antes mesmo do acordo de livre comércio entre o bloco da UE e o Mercosul entrar em vigor. O decreto que ratifica o tratado comercial no Brasil foi assinado anteontem pelo Congresso Nacional e agora aguarda a ratificação dos outros países envolvidos. O acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado que atinge cerca de 700 milhões de pessoas.
Dados do Comex Stat, plataforma do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), apontam que entre janeiro e fevereiro do ano passado as vendas de municípios da região no mercado internacional somaram US$ 1,4 milhão, valor que subiu para US$ 3,2 milhões no mesmo período deste ano.
Entre as cidades que exportaram para o bloco da UE no primeiro bimestre deste ano, está Apucarana, que comercializou matérias-primas químicas, couros e chapéus para Holanda, Itália e Portugal, totalizando US$ 1,4 milhão. Arapongas vendeu soja, móveis, espelhos e eletroímãs para Espanha, Bélgica, França e também para a Guiana Francesa, Mayotte e Ilha da Reunião, que são Regiões Ultraperiféricas (RUP) da França, somando US$ 1,2 milhão. Já São Pedro do Ivaí exportou ração animal para Bélgica e Irlanda.
No mesmo período do ano passado, os municípios que tiveram relações comerciais com integrantes da União Europeia foram Apucarana, Arapongas e Jardim Alegre.
Para o economista e professor da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Leonardo Silva, o aumento no valor de exportação para a UE trata-se de uma coincidência, já que o acordo ainda não está vigente. “Pode ser uma antecipação, mas também pode ser apenas coincidência. Agora, é evidente que o acordo, estando praticamente finalizado, já faz com que os agentes possam se antecipar ao movimento, para conhecer novos possíveis fornecedores. Mas ainda é cedo para falar sobre um efeito real”, analisa.
Contudo, a expectativa é que o acordo tenha impacto positivo nas exportações da região. “Com certeza cria expectativas porque torna o ambiente de negócios mais previsível entre os países dos dois blocos econômicos. Com a redução de tarifas, os produtos mais competitivos da região, sejam agropecuários ou industriais, vão ter mais uma opção de comércio para a venda de seus produtos domésticos”, comenta.