Um empresário apucaranense realizou na tarde de ontem um protesto inusitado. Ele soltou fogos de artifício em frente ao seu restaurante, no centro de Apucarana, em uma comemoração irônica por ter conseguido pagar a conta de energia elétrica do mês.Moacir Salve precisou pagar mais de R$ 3,2 mil na conta de luz de julho. O valor é quase três vezes maior do que a conta de um ano atrás.
“Mesmo diminuindo o consumo, o custo da energia elétrica teve esse salto absurdo. Fica quase impossível pagar esse valor, ainda mais com o faturamento caindo mês a mês por conta da crise”, ressaltou o empresário que fez diversas mudanças em seu negócio para tentar baixar o valor da conta.
O empresário disse ainda que, segundo os seus cálculos, a tarifa deveria chegar a esse valor somente em 2020, levando em conta a inflação anual. “Meu medo é quando o verão chegar. O consumo de energia elétrica é ainda maior e, por isso, a conta pode ficar ainda mais cara”, disse.Segundo ele, a intenção é chamar a atenção, tanto da sociedade quanto do poder público, para a dificuldade que passam os empresários e cidadãos em geral.
“As taxas e impostos estão subindo demais, e tudo de uma vez. É preciso que algo seja feito. Por isso, resolvi protestar”, conta.Outros comerciantes se juntaram a Moacir e também protestaram contra a taxa de energia elétrica, avaliada por eles como abusiva. “Feliz de quem conseguiu pagar a conta nesse mês. Quem comemora hoje pode não conseguir comemorar amanhã. Do jeito que as coisas andam, não sabemos se será possível arcar com as contas nos próximos meses. É uma situação muito difícil”, afirma Amarildo Camilo, proprietário de um estacionamento na Rua Ponta Grossa, local da manifestação.
Elias Pereira, dono de um açougue também nas proximidades do local do protesto, disse que a conta de energia elétrica do seu estabelecimento também aumentou consideravelmente. “De R$ 700 no início do ano, o valor foi para R$ 1,3 mil. Está difícil pagar essa conta. Os políticos fizeram suas campanhas no ano passado dizendo que estava tudo bem com as finanças e agora fazem os reajustes todos de uma vez”, reclama.