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Comissão da Seed vai acompanhar investigações da morte de estudante

Fernando Klein

| Edição de 22 de junho de 2022 | Atualizado em 22 de junho de 2022
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Integrantes da comissão de direitos humanos da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR), de Curitiba, vão acompanhar as investigações da morte do estudante Alekson Ricardo Kongeski, de 13 anos. O garoto morreu após uma briga de adolescentes no início da noite de anteontem nas proximidades do Colégio Estadual Cívico-Militar Padre José Canale, localizado no Jardim Ponta Grossa, na zona norte de Apucarana. Liberado no final da tarde para velório, o corpo do jovem será sepultado hoje, às 11 horas, no Cemitério Cristo Rei.

A morte está sendo investigada também pela Polícia Civil (ver box), que já ouviu parte dos adolescentes envolvidos e aguarda laudo do Instituto Médico Legal (IML) sobre a causa morte, além da apresentação do restante dos envolvidos. A família confirmou que Alekson tinha problemas de saúde pré-existentes.

A briga envolvendo Alekson e seis adolescentes aconteceu após a saída da escola. No colégio em questão, que adota modelo cívico-militar, as aulas encerram as 18h30. Além do adolescente morto, pelo menos dois outros envolvidos são estudantes da escola.

Segundo o professor Vladimir Barbosa da Silva, chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, os profissionais da Seed vão atuar no amparo à família do estudante morto e também junto à comunidade escolar. Os trabalhos iniciam hoje. “Eles vão conversar com familiares, professores e alunos. Nos próximos dias, serão organizadas reuniões e também palestras. A morte do estudante gerou muito sofrimento para todos”, assinala Vladimir.

As aulas foram suspensas nesta semana e serão retomadas apenas na próxima segunda-feira (27). O chefe do NRE afirma que o foco agora é dar atenção e amparo à família de Alekson. Ele afirma que tentou falar com os parentes ontem pela manhã, mas não foi recebido. 

Vladimir afirma que o NRE está acompanhando as investigações da Polícia Civil, que informou, inicialmente, que o menino morreu após um mal súbito. Ele reforça que a briga ocorreu após o período de aulas, fora da escola. 

“A escola não tinha informação sobre nenhum conflito entre os estudantes envolvidos, ou seja, não foi uma briga planejada. Além disso, envolveu alunos de colégios diferentes. O menino que morreu estudava no período da tarde no ‘Canale’, enquanto o outro aluno que aparece em um dos vídeos divulgados até agora é do ‘São Bartolomeu’. Os demais envolvidos na briga, segundo as informações que a gente tem, são do turno da manhã”, diz Vladimir. O chefe do NRE admite que o problema da violência escolar, de modo geral, preocupa. “Infelizmente, temos registrados muitos casos (de violência escolar). O problema, porém, ocorre também nas escolas particulares”, assinala

O secretário de Educação, Renato Feder, está acompanhando o caso e ligou nesta quarta-feira para o chefe do NRE de Apucarana. Em nota, a Seed-PR lamentou a morte e disse que se solidariza com a família do estudante morto.


Direção do colégio desconhecia rixa anterior

A direção do colégio pretende realizar uma série de ações junto à comunidade escolar após a retomada das aulas. O diretor Roberto Carlos de Oliveira, mais conhecido como Canela, afirmou que a morte gerou comoção. “O momento é muito triste para mim também, como diretor. A gente está no dia a dia das crianças, tentando ensinar que a violência não compensa”, diz Canela. 

O diretor também observou que a briga não ocorreu dentro da escola. Segundo ele, o colégio já realiza um trabalho de combate à violência na rotina diária das atividades, inclusive com atendimento psicológico semanal disponível aos alunos.

Segundo ele, o colégio “é seguro” e não havia informações de conflito entre os estudantes envolvidos. “Não temos brigas dentro da escola. É algo que pode ser confirmado pela Patrulha Escolar”, diz. 


Delegado acredita que jovem sofreu mal súbito

O delegado adjunto da 17ª Subdivisão Policial (SDP), Felipe Ribeiro Rodrigues, responsável pelo caso informou que a principal linha investigativa da Polícia Civil considera a morte do estudante provocada por um mal súbito decorrente da briga. Ele ouviu três adolescentes envolvidos nos fatos e algumas testemunhas. 

A partir dos depoimentos já ouvidos pela Polícia Civil, Alekson teria entrado em briga com um dos adolescentes do grupo. Um terceiro adolescente teria, então, tomado as dores deste outro garoto e iniciado a briga com Alekson e, durante essa sequência, a vítima teria caído no chão, desacordada. “Mas a briga ocorreu, de fato, apenas entre os dois. E não foi usado qualquer objeto, como pau ou pedra, ou mesmo alguma arma. Por isso, pelos indícios, a provável causa mortis não seja algum trauma decorrente da briga”, disse o delegado, acrescentando que o corpo do menino não tinha sinais evidentes de trauma. O adolescente que entrou em vias de fato com Alekson, entretanto, ainda não foi ouvido, mas já foi identificado. Todos os envolvidos moram no mesmo bairro.

“Inclusive utilizamos os canais de imprensa para pedir para que os familiares levem o adolescente a se apresentar voluntariamente para ser ouvido”, afirma o delegado. Sem isso, esclarece, caso o suspeito não se apresente voluntariamente, a Polícia Civil “vai tomar as medidas enérgicas para que ele seja ouvido. Mas esperamos que não seja necessário isso”. 

O corpo de Alekson foi liberado para velório, mas o IML não apontou a causa morte. O órgão pediu exames complementares em relação ao caso. (CLAUDEMIR HAUPTMANN)


Alekson queria ser policial, afirma a mãe

Mesmo muito abalada, quase sem condições de conversar, Aline Fernanda, mãe do adolescente Alekson Ricardo Kongeski disse que quer justiça. Aline ainda contou que conhece os jovens que participaram da briga, mas desconhece a motivação das agressões. “Meu filho era muito calmo, tranquilo, amoroso, inteligente, tinha sonhos, queria muito ser policial, tinha tudo pela frente. Ele tem mais três irmãos e estou tentando me manter firme por eles, mas está muito difícil”, disse.

A mãe espera por justiça. “Estou aguardando o laudo do IML e as investigações da polícia. Meu filho sofria crises convulsivas e tomava remédio para controlar as crises. Ele foi pra escola e quando saiu começou a confusão. Sei que meu filho empurrou um dos agressores, mas os outros jovens se aproximaram e foram pra cima dele, bateram nele. Espero por justiça. Estou destruída”, finaliza. (S.L)