O Governo Federal reduziu os subsídios para os medicamentos do programa Farmácia Popular. No entanto, o corte do investimento do Ministério da Saúde ainda não se refletiu nos preços. Por conta da concorrência local, as farmácias credenciadas no programa estão amortizando a diferença e mantendo os preços iguais aos praticados antes do reajuste.
O programa Farmácia Popular foi criado em 2004 e permite que uma lista com 112 medicamentos e itens de saúde, como preservativos e fraldas geriátricas, sejam comprados gratuitamente ou com desconto. Após a aquisição do remédio por parte do paciente, o Governo Federal ressarce a farmácia. É justamente esse ressarcimento que sofreu reajuste.
No início de fevereiro, o Ministério da Saúde admitiu que, para manter o programa Farmácia Popular, precisou reduzir os valores repassados às drogarias privadas que possuem convênio com o programa. Esse corte, em alguns casos, chegou a até 50%. Porém, até agora o consumidor apucaranense não viu reflexo nos preços.
“Tanto os laboratórios quanto nós, das farmácias, estamos nos ajustando para não onerar mais o consumidor. Por isso, os laboratórios estão sendo mais flexíveis nas negociações dos preços dos remédios e nós estamos assumindo a alta, sem repassar para o cliente”, explica Ademir dos Santos, gerente de uma drogaria de Apucarana que participa do programa.
Segundo ele, alguns medicamentos têm até 90% do custo pago pelo governo. O valor restante, em tese, seria repassado ao consumidor. No entanto, por conta da alta concorrência em tempos de crise econômica, a farmácia tem aberto mão desse valor, através de descontos. “Esses 10% ou mais, que o consumidor deveria nos pagar, nós estamos abrindo mão. Ou seja, eles se tornam gratuitos para os consumidores. É um desconto que damos para atrair o consumidor”, diz.
Atendente de outro estabelecimento também em Apucarana, Geise Peixoto Costa explica que a farmácia acaba amortizando a queda no repasse do Ministério da Saúde. “O governo cortou parte dos subsídios. Portanto, o correto seria, infelizmente, repassar os custos ao consumidor. Porém, não tem como fazermos isso, porque senão perdemos vendas e deixamos de ser competitivos”, ressalta.
Quem acaba ganhando é o próprio paciente. “Sou de Campinas e cheguei recentemente em Apucarana. Sofro de diabetes e hipertensão, então dependo muito da Farmácia Popular. Em Campinas, meus medicamentos ficavam entre R$ 23 e R$ 24 por mês, graças ao subsídio. Mas aqui em Apucarana, esse valor é bem menor ou até mesmo sai de graça”, conta o porteiro Jonas Ferreira da Silva.