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Contraturno ganha espaço na rede estadual

Renan Vallim e Ivan Maldonado

| Edição de 22 de maio de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Tido como prioridade do Governo Estadual, sobretudo a partir de 2013, o ensino no contraturno ganhou espaço e, hoje, já se encontra em praticamente todos os colégios da região. Das 114 instituições de ensino pertencentes à rede estadual, apenas duas não têm atividades de contraturno. O projeto já apresenta resultados e recebe elogios de educadores, mas eles também pedem mais recursos para desenvolver melhor as atividades.

Imagem ilustrativa da imagem Contraturno ganha espaço na rede estadual

“A Educação Integral tem como objetivo ampliar os tempos, os espaços e as oportunidades de aprendizagem dos alunos. O grande foco é o desenvolvimento integral das crianças, adolescentes e jovens matriculados nas instituições de ensino públicas estaduais do Paraná”, afirma Édna Antoniassi, coordenadora da Educação Integral no Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana.

O início das diretrizes de contraturno no Paraná aconteceu em 2012, quando o Estado publicou as primeiras orientações gerais sobre o Ensino Integral. No entanto, a prática já acontecia pelo menos desde 2010. Em 2013, foi a vez das orientações para o Turno Complementar, que foi revisado no ano seguinte. “Hoje, das pouco mais de 60 escolas no NRE de Apucarana, 99% possui alguma modalidade de contraturno”, diz Édna.

São basicamente duas modalidades. A mais ampla e completa é o Ensino Integral, que mantém o aluno na escola com uma jornada mínima de estudos de sete horas diárias. As disciplinas da Base Nacional Comum, como Português, Matemática, História e Geografia, são intercaladas com a Parte Diversificada, envolvendo desde o aprendizado de Inglês e Espanhol, até atividades mais complexas, como Astronomia, Arqueologia, Artes e atividades em laboratórios.

Essa modalidade é considerada a mais próxima do ideal, pois amplia os horizontes do aluno através de inúmeras atividades. No entanto, é mais complexa e exige grandes investimentos. Por isso, apenas duas escolas em toda a região possuem essa modalidade de ensino: o Colégio Estadual Antônio dos Três Reis de Oliveira, em Apucarana, e o Colégio Estadual Rui Barbosa, em Jandaia do Sul.

O modelo mais comum de contraturno é o Turno Complementar, através dos Programa de Atividades de Ampliação de Jornada Permanente, do Governo Estadual, e do Programa Mais Educação, parceria do estado com o Governo Federal. Os alunos realizam as aulas das disciplinas comuns ao longo de um turno (manhã ou tarde) e as atividades complementares são desenvolvidas no contraturno. A matrícula para essas atividades é facultativa.

A maioria das escolas, cerca de 80%, oferece o Turno Complementar de quatro horas semanais. O restante oferece jornadas de 15 horas semanais. Há ainda aulas de treinamento esportivo e também de reforço para alunos que enfrentam alguma dificuldade na aprendizagem.

Melhora na sala de aula

O Colégio Estadual Vale do Saber, em Apucarana, é um dos colégios com projetos de contraturno mais desenvolvidos na região. São cinco atividades diferentes. Uma das principais é o treinamento de caratê, como aponta o diretor da instituição, Antônio Carlos Romão Júnior. “Esse projeto nos ajudou a descobrir grandes talentos dentro da escola, tanto é que tivemos alunos que foram para o campeonato sul-americano da modalidade, na Argentina, e voltaram com medalhas”, conta.

Ele aponta ainda as vantagens do contraturno. “Não existe projeto milagroso. No entanto, é possível ver que a maioria dos alunos muda o comportamento e também o desempenho em sala de aula. A doutrina do esporte acaba sendo levada para a vida deles. No entanto, as escolas enfrentam muitas dificuldades ainda. O Governo do Estado deveria apoiar mais essas iniciativas, sobretudo auxiliando na compra de materiais. Para este ano, por exemplo, nada foi repassado”, afirma.

Efeitos positivos entre os alunos

Na área do Núcleo Regional de Ensino (NRE) de Ivaiporã, as 52 escolas adotam o sistema de contraturno. As atividades abrangem 3,1 mil alunos, ou 20% dos 17 mil estudantes da regional.

Em Ivaiporã, o Colégio Estadual Barão do Cerro Azul conta com vários projetos, como salas de apoio de português e matemática, aulas de idiomas, esportes, horta e canto, entre outros. Segundo o diretor-auxiliar Robson Rodrigues da Costa, a escola tem matriculados cerca 450 alunos, sendo que 270 são atendidos pelos projetos.

Para ele, desde que os projetos foram implantados em 2013 é visível à melhora no conhecimento dos estudantes. “Pelo que acompanhei nesses 11 anos que estou na escola, os projetos surtem um efeito muito bom e deixam o ensino mais humano. Tivemos, por exemplo, um aluno com dificuldades gravíssimas, que ficou três anos parado numa mesma série. Depois que entrou em uma sala de recursos, conseguiu se formar e hoje trabalha fazendo esculturas com técnicas aprendidas nas aulas de contraturno”, explica Costa.

O professor Ewerton Davi Marques Silva, coordenador técnico-pedagógico do NRE, explica que os projetos incentivam a prática esportiva. “Isso fez com que aumentassem os participantes nos jogos escolares, aprimorando o rendimento dos alunos-atletas”, assinala.