O cooperativismo é um movimento universal que propõem um modelo diferenciado de produção, implantado com base na cooperação. E foi se unindo que os produtores de leite do Assentamento 8 de Abril, em Jardim Alegre, conseguiram aumentar o faturamento em 250%.
O crescimento é reflexo da implantação da Cooperativa de Comercialização Camponesa do Vale do Ivaí (Cocavi).
Desde 2013, quando foi iniciado o trabalho para a expansão da bacia leiteira no assentamento, a Cocavi mais que triplicou o número de cooperados na atividade, passando dede 40 para os atuais 163 produtores de leite. O faturamento também seguiu a mesma linha, crescendo de R$ 800 mil para 2,8 milhões em apenas 2 anos.
Segundo o presidente da Cocavi, Digerson Santos da Silva a cooperativa nasceu em 2009 com a finalidade de organizar a produção e, a princípio, trabalhava apenas com frutas e verduras. “Com 555 famílias no assentamento, a produção estava sendo ofertada de maneira individual. Com isso, o produtor perdia a capacidade de negócio. Se a pessoa oferta um litro de leite existe um valor, agora se a cooperativa oferta 15 mil litros a conversa com o comprador é outra”, explica. Hoje a cooperativa tem 283 associados que incluem também os produtores de hortifrútis.
O diretor de administração, André Luiz Lazarin, relata que a ampliação da bacia leiteira no assentamento se deu em 2013, impulsionada pela instalação, em Arapongas, do laticínio da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), também instalado em um assentamento, o Dorcelina Folador.
“A maior parte da produção diária de leite do assentamento vai para o laticínio em Arapongas. Uma vez na semana a produção fica para um laticínio de Ivaiporã que é nosso colaborador”, assinala Lazarin.
O próximo passo da Cocavi é ampliar a comercialização dos produtos industrializados pela Copran. “Nos próximos dias estaremos recebendo da SEAB/MDA dois caminhões baú refrigerados e dois carros. Com isso, poderemos abrir mercado no Vale do Ivaí”, destaca Lazarin. Além desses veículos, a Cocavi também receberá mais dois caminhões coletores.
Lazarini explica ainda que a Copran articula um conjunto de cooperativas da Reforma Agrária, que formam a rede Campo Vivo. Frutas, verduras, leite, iogurte, bebida láctea e queijos são beneficiados, industrializados e entregue para programas institucionais (PAA e PNAE), e no mercado convencional.
Assistência se reflete no amento da produção
O cooperado Vilson dos Santos, conhecido como Macuco, conta que antes de 2013 tinha apenas duas vacas, praticamente para o consumo da família. Com a formalização da cooperativa, ele se animou e hoje tem nove matrizes da raça Jersey que rendem, em média, 13 litros/dia por vaca em lactação. “A produção diária hoje já ajudou bastante a manter a família, mas a tendência agora é melhorar o rebanho e, no futuro, produzir 20 a 25 litros por vaca”, explica Macuco.
Outro beneficio dos cooperados foi um convênio assinado entre o Governo do Estado e o Governo Federal para a melhoria da qualidade do leite. Hoje todos os cooperados têm em suas casas um resfriador. “Antes a gente perdia muito leite, principalmente em épocas de chuva, quando o caminhão não conseguia fazer a coleta por causa das estradas”, comenta Macuco.
Além da comercialização do leite, a Cocavi também oferece assistência técnica com dois veterinários e fornece insumos através da loja que foi instalada há pouco mais de um ano. “Hoje junto à loja também estamos instalando um laboratório veterinário para fazer a analise básica do leite e os exames de brucelose e tuberculose”, relata o diretor de administração, André Luiz Lazarin.