Uma rotina de medo se instalou entre os funcionários dos Correios nos municípios da região. O número de assaltos à mão armada nas agências disparou desde a implantação do Banco Postal, há 15 anos. Somente neste ano, 13 assaltos foram registrados nas unidades do Vale do Ivaí, o que corresponde a 60% de todas as ocorrências do ano anterior. O caso mais recente aconteceu na tarde de anteontem em Rio Bom. É a quarta vez que a agência do município é assaltada somente em 2017, revelando a preferência dos criminosos por cidades menores, com pouco policiamento e sem qualquer sistema se segurança.
Situação semelhante é vivenciada por funcionários dos Correios de Cambira, que já foram assaltados três vezes neste ano, sendo duas em abril e uma em março. Em 2015, foram quatro casos, o que tem gerado afastamento de funcionários. Em visita da reportagem ao local foi constatado que dos três funcionários, incluindo o carteiro, todos estão afastados após o último assalto realizado no dia 26 de abril. O serviço é prestado neste período por outros dois funcionários, um atendente e um carteiro, que foram deslocados de outra unidade.
Desde que passou a operar como Banco Postal já foram 12 assaltos, o que também tirou o sossego dos moradores e comerciantes próximos à agência, que fica na Avenida Brasil. O açougueiro Jorge Lima, que tem o comércio há 20 anos ao lado dos Correios, conta que já presenciou oito assaltos, inclusive os dois últimos, que ocorreram num intervalo de 15 dias. “Quando vê já estão passando com o revólver na mão aqui em frente ao açougue indo em direção aos Correios. Quando tem gente na rua já entra correndo aqui”, relata.
Sobre o assalto do dia 7 de abril, ele recorda que um homem e uma mulher chegaram numa moto. “Ela desceu com a arma e ele ficou na moto. Ela tremia muito apontando a arma para as pessoas. Isso dá muito medo porque pode disparar e acertar qualquer um”, diz.
Outro comerciante José Currati, que tem uma pastelaria há 15 anos em frente aos Correios, também já presenciou várias cenas de violência. “É muito rápido. Chegam de moto, armados e pegam o dinheiro. No último, tinha umas sete pessoas em frente que saíram correndo. Uma mulher chegou a desmaiar dentro da agência”, relata.
Currati avalia que o avanço dos assaltos é reflexo da falta de segurança do local. “O funcionário trabalha sem segurança nenhuma, no lugar que funciona um banco”, ressalta. Vizinho de comércio, o gerente Andrei Antônio Pereira também questiona a falta de segurança. “É um banco praticamente só que sem segurança. Para nós, isso não é bom, porque traz muita violência”, afirma.
Na avaliação dele, o serviço bancário só seria bem-vindo com segurança. “O problema aqui é que não tem segurança na agência nem policiamento na cidade”, sublinha. Nos municípios pequenos é comum ter apenas dois policiais de plantão e, em casos mais graves, eles precisam acionar reforço.
PARCERIA
Assaltos aos Correios aumentaram principalmente após 2011, quando a empresa firmou uma parceria com o Banco do Brasil, ofertando maior número de serviços e, consequentemente, maior circulação de dinheiro, uma vez que passou a realizar depósitos, saques e pagamento de aposentadorias.
No ano passado, por exemplo, a agência de Bom Sucesso foi assaltadas três vezes; de Cambira, quatro; Cruzmaltina, uma; Godoy Moreira, duas; Marumbi, duas; Rio Bom, duas; São João do Ivaí, duas; São Pedro do Ivaí, duas; Califórnia, uma, e Kaloré, duas.