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Corte de verbas atinge campus da região

CINDY SANTOS APUCARANA

| Edição de 09 de maio de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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As universidades federais já calcularam os impactos gerados pelo corte de 30% nas verbas, anunciado pelo governo na semana passada. Pelas contas, o bloqueio representa R$ 853 mil (36,25%) a menos no caixa do campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Apucarana. Em toda instituição de ensino, o contingenciamento equivale a R$ 37 milhões. 

De acordo com o diretor do campus da UTFPR, Marcelo Ferreira da Silva, a medida colocará em risco a qualidade do ensino ofertado e os alunos serão os maiores prejudicados. “As primeiras consequências serão para os nossos estudantes. O maior impacto gerado está ligado aos editais para patrocínio de eventos destinados aos alunos. Além disso, o valor da refeição do Restaurante Universitário vai subir, pois o subsídio bancado pela universidade terá que ser reduzido”, explica. Atualmente a refeição no RU custa R$ 2,50 com subsídio de R$ 7 da universidade. 
O diretor disse que, eventualmente, o corte também poderá afetar a compra de insumos para os laboratórios, dentre outros materiais didáticos. 
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o corte equivale a R$ 48,5 milhões. Segundo o diretor do campus avançado de Jandaia do Sul, Eduardo Teixeira da Silva, a redução de verba comprometerá até o pagamento de contas de água e luz.
“Podemos nos tornar inadimplentes porque esse dinheiro é para custeio da universidade. Ou seja, para pagamento de água, luz, papel higiênico, insumos, dentre outros”, explica. 
Além dos serviços básicos, as atividades do segundo semestre na UFPR também serão comprometidas por falta de recursos. “O dinheiro que nós temos chega até julho. Corre-se o risco do segundo semestre não iniciar em todas as universidades do país”, alerta. 
Silva espera que o governo federal reavalie a medida para não atrapalhar o desenvolvimento de projetos de pesquisa. “É uma medida infeliz, pois 90% das pesquisas no país são realizadas em universidades federais públicas. Temos muitos bolsistas de doutorado e mestrado que correm o risco de perderem suas bolsas. Espero que o governo reveja essa questão porque investir em educação e pesquisa é investir em futuro”, analisa. 
A reportagem entrou em contato com o campus do Instituto Federal do Paraná (IFPR) em Ivaiporã, contudo a direção disse que não tem autorização para se manifestar sobre o assunto. Nota divulgada no site da instituição informa o bloqueio significa um impacto de R$ 20,8 milhões, o que, em média, corresponde a 36% do orçamento discricionário, em ações como capacitação e funcionamento (custeio, investimento e expansão). A Assistência Estudantil, por exemplo, não foi afetada.
Conforme a nota, estão previstas ações com o intuito de analisar os impactos do bloqueio de recursos no âmbito do Instituto Federal do Paraná. 

Ministro se diz surpreso com repercussão
Anteontem, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, negou que tenha havido cortes na verba das universidades federais. Segundo ele, o que houve foi um contingenciamento. “Não houve corte, não há corte. Há um contingenciamento. Se a economia tiver um crescimento com a aprovação da nova Previdência, e eu acredito nisso, isso vai retomar a economia. Retomando a dinâmica, aumenta a arrecadação e descontigencia”, garantiu ao ser questionado na Comissão e Educação do Senado sobre o anúncio feito na semana passada de bloqueio de 30% da verba de instituições federais de ensino superior.
Weintraub se disse surpreso com a repercussão da decisão e defendeu o contingenciamento que, segundo ele, é sobre “uma parte pequena do volume total de despesas”, que atinge apenas a parte discricionária das universidades federais: “A folha de pagamento e o refeitório estão integralmente preservados”.