CIDADES

min de leitura - #

Cozinheira da Apae de Jandaia é 3ª vítima fatal de acidente

Adriana Savicki

| Edição de 10 de março de 2023 | Atualizado em 10 de março de 2023

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Morreu na noite desta sexta-feira a cozinheira da Apae de Jandaia do Sul, Isabel Aparecida Gimenes Figueiredo, 55 anos. Ela é a terceira vítima fatal do acidente envolvendo um micro-ônibus e um trem registrado no final da manhã de quinta-feira (9). A confirmação foi divulgada algumas horas depois do sepultamento das primas Maria Vitória Gomes Ferreira, 11 anos, e Kimberly Caroline Ribeiro Pimenta, 15 anos.

A funcionária da Apae estava internada no Hospital da Providência, em Apucarana, onde deu entrada após o acidente com um quadro grave de trauma crânio encefálico. Ela era uma das 29 pessoas que estavam no micro-ônibus atingido pela composição na Vila Rica. Pelo menos dez vítimas continuam internadas em hospitais da região – cinco em estado grave (ver box).

Até o fechamento desta edição, o local do velório não havia sido divulgado. Ela era casada e deixa uma filha.

 Jandaia do Sul parou nesta sexta-feira para prestar solidariedade aos familiares das vítimas. As duas primas que morreram no local da colisão, Maria Vitória Gomes Ferreira, 11 anos, e Kimberly Caroline Ribeiro Pimenta, 15 anos, foram veladas no Auditório Municipal, que recebeu centenas de pessoas, e sepultadas juntas no final da tarde no Cemitério Novo, em uma cerimônia mais restrita. 

“Elas eram o centro da família, elas eram as mais bagunceiras, as duas eram especiais demais, especiais de todas as formas”, afirmou o tio das meninas, Fabiano Ferreira Pimenta. Ele afirma que a família está desolada. “Não tenho nem como descrever. Todo sábado nós, a família toda, se reunimos na casa da minha mãe, são umas 30 pessoas, e agora como vai ser? Como vai ser chegar na casa da minha mãe? Final de semana passado comemoramos o aniversário da Maria, no outro da Kimberly”, desabafa. 

Fabiano disse que a família só descobriu que Maria Vitória faleceu quando chegaram no hospital, onde permanecem internadas dois irmãos da menina, a gêmea Thainara Vitória e Luis Felipe, 13 anos, que também estavam no ônibus.

“A Maria sumiu, ninguém sabia onde ela estava, ficamos sabendo que ela havia morrido era quase 18 horas. A irmã gêmea dela e o irmão seguem internados. Meu irmão está sem chão e eu tô me fazendo de forte por eles”, disse. 

O tio das crianças cobra melhorias no local para evitar outras tragédias. “Precisa ser feito algo no local, além disso, tem que preparar melhor os motoristas, saber quem está contratando. Pare, olhe e escute. Ele não parou, não olhou e não escutou. Quero respostas, cobrarei por Justiça”. 

SOBREVIVENTES

Pais de outras crianças que estavam no micro-ônibus também passaram pelo velório. O filho de Luciene Galo, de 8 anos, estava no coletivo. Rafael chegou a ser internado no Hospital Nossa Senhora de Fátima, mas já recebeu alta.

A casa da família fica a 100 metros do local do acidente. “Escutamos um barulho forte e uma pessoa já passou gritando, falando do acidente. Fiquei em choque, não conseguia me mexer. Meu marido saiu correndo, foi lá, depois me ligou, falando que meu filho tinha sobrevivido e eu fui correndo. Quando cheguei, meu Deus, aquela cena terrível”, conta. Rafael, que tem Síndrome de Down, contou para mãe que bateu a cabeça e voou no ônibus. 

Jairo Joaquim Lopes de Melo estava no ponto de ônibus esperando a filha, Julia Mendes, de 12 anos, que sempre chega perto das 12h, quando passou uma pessoa em um carro, avisando do acidente. 

“Ela não teve ferimentos, só ficou com a marca do cinto de segurança que, com certeza, salvou a vida dela”, comenta, afirmando que, apesar de ilesa, o acidente afetou sua filha. “Ela é autista, não se comunica, não fala se está com dor, o que sente, mas percebemos uma agitação maior, bastante inquietação. Ela só fala: ‘busão bateu”, disse. (COM REPORTAGEM DE LIS KATO E VÍTOR FLORES)

Prefeitura abre sindicância para investigar motorista

Segundo o prefeito de Jandaia do Sul, Lauro Junior, uma força-tarefa está atuando no município desde o momento do acidente para acolher, orientar e apoiar as famílias, 

“Fizemos uma força-tarefa com psicólogos e servidores municipais. Técnicos estão acompanhando as famílias nos hospitais e pronto atendimento, ajudando com transporte e dando todo o suporte”, disse Lauro.

Ele também afirmou que o motorista do micro-ônibus, servidor de 43 anos, foi afastado das funções temporariamente. O caso é investigado pela Polícia Civil, que ouviu o motorista ainda no dia do acidente.

Nesta sexta-feira, foi confirmado que o profissional estava com CNH vencida desde o dia 23 de janeiro. Ele pode responder a processo de homicídio culposo na condução de veículo, afirma a Polícia Civil. 

O prefeito Lauro Junior disse que a prefeitura vai abrir uma sindicância para apurar a conduta do motorista, contratado através de concurso público em agosto de 2022. “Foi aberto procedimento administrativo e ele já foi afastado e vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis”, comenta

O prefeito também destaca que a Prefeitura vem cobrando melhorias nas passagens de nível. “Em 19 de maio de 2022 solicitamos a Rumo melhorias, mais segurança nos cruzamentos. Foi instalado um semáforo teste em uma das passagens que deve ser instalado nas demais (passagens), mas isso ainda não aconteceu. A velocidade do trem é outra questão que também nos preocupa”, disse. 

Muitas vítimas foram liberadas

Das 27 pessoas que foram hospitalizadas após o acidente, muitas receberam alta, mas pelo menos dez pessoas permanecem internadas, cinco em estado grave. Em Apucarana, três crianças – incluindo os irmãos de Maria Vitória – estão internadas na enfermaria do Hospital Materno Infantil. No Hospital da Providência há três pacientes em UTI e um em enfermaria.Outras vítimas recebem cuidados no Honpar, de Arapongas, que tem um paciente em enfermaria e um em UTI, e no Hospital Universitário (HU) de Londrina, mais um paciente em UTI.Outras vítimas estão internadas em outros hospitais da região.