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Crise e escândalo da JSB derrubam cotação do boi e preço da carne começa a recuar

Ivan Maldonado

| Edição de 21 de junho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Crise econômica, operação Carna Fraca e a oscilação de mercado após o escândalo envolvendo a JBS está derrubando o preço do boi gordo no pasto. De janeiro a maio deste ano, o valor da arroba caiu 13,3% em média, no Vale do Ivaí, passando de R$ 150 no início de 2017 contra R$ 130 ao fim do mês passado, segundo a regional de Ivaiporã do Departamento de Economia Rural (Deral). A queda no campo vem chegando aos poucos aos açougues e supermercados, com redução de até 16% em alguns cortes.

Imagem ilustrativa da imagem Crise e escândalo da JSB derrubam cotação do boi e preço da carne começa a recuar
Preço baixo da arroba tem influenciado no preço final da carne | Foto: Delair Garcia

De acordo com o chefe do Deral de Ivaiporã, Sergio Carlos Empinotti, vários fatores influenciaram para a queda do boi gordo no mercado. 

“A operação Carne Fraca teve uma pequena influência na queda de preços, mas de modo geral a renda do brasileiro que caiu muito e isso foi o que mais influenciou os consumidores a trocarem a carne bovina por outras carnes, como a carne suína e de frango, que estão bem mais em conta. Também há um excesso de oferta, e isso ajuda a derrubar o valor da arroba”, assinala Empinotti. 
Ainda segundo Empinotti, o fator climático também é determinante pela menor demanda do produto. Historicamente o consumo por carne bovina começa a cair às vésperas do inverno. “Geralmente nessa época, a procura de carne de churrasco cai um pouco e o pessoal prefere mais uma carne de panela. Tanto é que, nos supermercados, as carnes mais nobres estão começando a cair de preço e as carnes de segunda continuam no mesmo patamar”, completa. 
Nos supermercados, apenas um corte avaliado pelo Deral teve alta no primeiro semestre do ano: a costela bovina, que subiu 1,8%. Todos os demais cortes estão com a cotação mais baixa no varejo, com destaque para a alcatra, o coxão mole e o mignon - com preços 8,8%, 8,7% e 7,3% menores.
O agropecuarista de Ivaiporã, Célio Pereira, destaca que a queda deveria ser maior ao consumidor. “A carne vendida para o consumidor nos supermercados apresenta quase o mesmo preço de antes”, reclama.
Outra preocupação dos produtores, é que não existe tendência de aumento de preços para os próximos meses, o que pode desestimular a produção de bovinos de corte na região. Segundo o agropecuarista, o mercado futuro aponta para outubro os mesmos R$ 130 pagos atualmente. 
“Hoje, o produtor tem o animal no pasto pronto para tratar no cocho, mas não está fazendo isso. Eu, por exemplo, tenho uma ponta de novilha para pôr no cocho agora, mas não tenho coragem. É um trato caro, que vai custar acima de R$ 130 a arroba. Não há nenhuma perspectiva de ganho para o produtor”, enfatiza ele. 

Cortes mais nobres têm maior queda em Apucarana
No açougues e mercados de Apucarana, o preço da carne bovina também caiu, mas de acordo com os estabelecimentos, a redução foi tímida e em apenas alguns cortes. “Caiu pouco, infelizmente. Por isso, o consumidor ainda não aumentou a procura. Esperamos que os preços continuem caindo para, quem sabe, influenciar positivamente nas vendas”, ressalta Elias Pereira, proprietário de um açougue na cidade.
Maurício Zaffalão, proprietário de outro estabelecimento em Apucarana, aponta que apenas alguns cortes estão mais baratos. “A queda, que chegou a 16%, foi em apenas alguns cortes, sendo os principais a alcatra, o coxão mole e a fraldinha. Essa tendência começou a acontecer logo após as denúncias que os donos da JBS fizeram”.
A alcatra, que chegou a custar em torno de R$ 29 o quilo, hoje é vendida por cerca de R$ 25, redução de 16%. Já o coxão mole e a fraldinha, que custavam R$ 23, atualmente saem a aproximadamente R$ 20, queda de 15%. Os valores são de carnes consideradas de primeira qualidade.
Ele afirma que os consumidores perceberam os novos preços. “Na situação de crise que o país se encontra, o consumidor nota qualquer queda de preço. No entanto, os preços mais baratos ainda não geraram muita mudança no consumo dos clientes. A procura não aumentou muito”. (IVAN MALDONADO)