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Crise econômica abre espaço para restaurantes populares

Vanuza Borges

| Edição de 18 de junho de 2017 | Atualizado em 17 de junho de 2017

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O setor gastronômico está aquecido em Apucarana. No ano passado, mesmo com a retração econômica, foram abertos 12 restaurantes e 14 bares na cidade, segundo balanço da Prefeitura. Nos primeiros cinco meses deste ano, os números revelam que a área gastronômica continua atraindo investidores, em especial, conforme pode ser observado nas ruas, no segmento mais popular, voltado para o atendimento de trabalhadores da indústria e do comércio.
De janeiro a junho de 2017, cinco restaurantes foram abertos na cidade, o que representa 41% do total de estabelecimentos abertos em 2016. A média de restaurantes abertos continua de um por mês. Outro reflexo da popularização do setor está no fato dos empreendimentos estarem presentes tanto na área central quanto nos bairros.

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Em comum, os restaurantes com preços mais populares, independentemente da localização, apostam num cardápio mais enxuto, porém com qualidade. Além do tradicional arroz com feijão, os clientes têm duas opções de carnes, uma de massa e saladas. Podem escolher entre o famoso prato feito e o buffet, que pode ser por quilo ou à vontade. Alguns estabelecimentos oferecem refeições a partir de R$ 5,99 e buffet livre a R$12. Já em restaurantes que fogem dessa linha mais popular, o preço do buffet por quilo varia entre a casa dos R$30 a R$40.
O costureiro Ricardo Furtuoso, de 35 anos, é um exemplo de quem precisa almoçar fora de casa todos os dias. Ele, que trabalha na Barra Funda, para não estourar o orçamento, aposta nos restaurantes com preços mais acessíveis. “A diferença está no preço, e no cardápio é bem variado. Além disso, tem a praticidade de não precisar preparar o almoço todos os dias ”, diz.
Diferente de Ricardo, a auxiliar de laboratório Beatriz Niclevicz, de 22 anos, trabalha na área central e opta por almoçar em restaurantes mais populares quando precisa fazer algum serviço de banco na hora do almoço. “O cardápio é muito bom e o preço justo”, avalia.
E não é só quem trabalha que procura esse tipo de restaurante. A técnica de enfermagem Beatriz Rodrigues, de 38 anos, de Maringá, veio visitar a mãe e aproveitou para almoçar fora. “É um preço mais acessível, porém a comida é muito boa. Quando trabalhava aqui, almoçava cerca de duas vezes na semana nesse restaurante. Apesar do preço mais acessível, dependendo do salário, não dá para almoçar todo dia fora de casa, porque compromete o orçamento”, diz.
Com a expansão dos restaurantes populares para os bairros, outros públicos são atendidos de acordo com novas demandas. Com a implantação do Cisvir, no Jardim América, que atende principalmente pessoas vindas do Vale do Ivaí à procura de serviços médicos, novos empreendimentos foram implantados no bairro. Vanilda Teixeira da Silva, 39, moradora de Borrazópolis, veio na semana passada fazer mamografia no Cisvir e aproveitou para almoçar com o marido Rodrigo Leite dos Santos, 39, num restaurante popular. O casal saiu satisfeito. “Além do preço mais em conta, é uma opção para quem quer almoçar e não pode ir até o centro da cidade, porque geralmente vem de ônibus fornecido pelas prefeituras”, diz.

Setor em expansão na cidade
De olho no mercado popular, o empresário Gonçalo Ribeiro de Matos abriu dois restaurantes em dois anos, um na Barra Funda e outro no Jardim América. Gonçalo, que tinha antes uma lanchonete, resolveu adaptar o espaço e apostar no ramo após perceber a demanda por refeições a preços mais acessíveis.
Para conseguir atender à necessidade principalmente de trabalhadores, Gonçalo revela que aposta em compras em quantidade maiores. “Sempre tento ganhar no preço, por isso, compro direto no Ceasa em Londrina. No caso das carnes também compro em grande quantidade e, com isso, consigo um preço melhor”, diz.
A empresária Daiane Siraque Dzioba já está há quase 10 anos neste ramo e enfrentou a crise com estratégias de mercado. Para fidelizar os clientes, além de reinventar o cardápio, também oferece algumas cortesias como sobremesa gratuita e faz promoções em alguns dias da semana. “Hoje em dia, as pessoas querem comida a um preço mais acessível e com um toque mais caseiro”, diz.
Apesar da demanda constante, Daiane revela que a clientela caiu com a crise econômica. O secretário de Indústria e Comércio, Moacir Salve avalia que os restaurantes populares estão ganhando espaço, diferente daqueles que oferece pratos mais incrementados. “Comer é uma necessidade e também um lazer, e na crise as pessoas cortam o lazer primeiro”, diz.