Responsável por uma parcela significativa da carteira de clientes do comércio, em especial, em cidades menores, o carnê está cada dia mais restrito em Apucarana. Uma breve passagem da reportagem da Tribuna por algumas lojas na Avenida Curitiba, que concentra os principais estabelecimentos comercias, constata que o crediário próprio continua como alternativa para quem não tem conta em bancos ou quer fugir dos juros abusivos das financeiras. Por outro lado, parcelar as compras no carnê não é mais algo tão simples. O cadastro está mais exigente diante do avanço da inadimplência.
O gerente de uma loja de calçados, Joaquim Roberto Luiz, de Apucarana, explica que o crediário continua como forma de pagamento da loja, porém novas fichas são feitas somente após análise de crédito, referência e com entrada. “Se na consulta apontar qualquer problema, não vendemos. A inadimplência neste ano aumentou 4%”, afirma.
Ainda de acordo com Joaquim, cerca de 35% dos clientes da loja pagam com carnê. Entre as vantagens, o gerente destaca a negociação direta quando há atraso no pagamento e o parcelamento sem juros. Já para os novos clientes, o crediário é uma entrada e mais duas parcelas. Já para quem têm anos de casa, pode pagar até em seis vezes o preço da etiqueta.
Outro gerente de vendas, Fernando Bonilha, destaca que para fazer o cadastro também é feita análise de crédito. Por dia, em média, segundo ele, são feitos oito cadastros. Como vantagem, Fernando também cita a negociação direta com os clientes. “A procura pelo crediário se mantém estável, mas a inadimplência aumentou nos últimos meses quase 1%”, diz.
Segundo Bonilha, a justificativa quase sempre é a mesma: o desemprego. “Neste caso, tentamos negociar e o juro aplicado é o mínimo. Situação bem diferente do cartão de crédito”, garante.
Já a gerente de vendas Eliane Godoy, de uma loja confecções, revela que o crediário desde 2014 é só para clientes antigos. “Por enquanto, a decisão é essa, por causa da inadimplência”, justifica. Outra loja, cuja gerente não quis se identificar, adotou a medida por quatro meses. “Por receio da crise, não abrimos novas fichas de dezembro a março”, diz a gerente.
Já quem tem o velho carnê, desfruta das vantagens. Um exemplo é a professora Maria das Dores de Almeida, 67. “Oferece melhor forma de pagamento. O cartão está ficando muito caro”, diz. O vendedor Cleiton Adriano Cretuchi, 34, também compartilha da mesma opinião. “Se acontecer de atrasar, negocio direto na loja. Diferente do cheque e do cartão”, argumenta.