As constantes falhas na coleta de lixo doméstico - que levaram, inclusive a troca da empresa responsável pelo serviço - e a crise econômica vêm afetando também o desempenho da coleta seletiva em Apucarana. A Cooperativa dos Catadores de Apucarana (Cocap) afirma que não houve queda no volume de recicláveis, mas a qualidade do material que chega até o barracão mudou, o que implica em mais trabalho e menos retorno financeiro.
A atuação irregular da coleta doméstica - prestada até o início da semana pela Ebepec - é um dos motivos. Segundo a cooperativa, nos bairros onde a coleta atrasava, as lixeiras ficaram abarrotadas, misturando o material reciclável e doméstico, cuja coleta ocorre em dias diferentes.
O gestor administrativo da Cocap, Itamar Gomes de Oliveira, explica que a coleta seletiva funciona em dias alternados à coleta de lixo comum, justamente para separar os materiais. “Com as falhas da empresa responsável o lixo passou a ficar misturado nas lixeiras e isso dá muito mais trabalho porque temos que verificar o que tem nos sacos e separar tudo”, reitera.
Se problema está sendo contornado - a empresa Costa Oeste Serviços de Limpeza Ltda, iniciou atividade nesta semana - o outro não é tão simples,.
Segundo Oliveira, a retração da economia brasileira também atingiu a cooperativa. Além da alta nos impostos, custos de produção e manutenção de maquinário, a cooperativa passou enfrentar disputa na coleta de materiais recicláveis.
De acordo com Itamar, a crise está obrigando as pessoas a procurarem rendas alternativas e a venda de alumínio, pet e papelão surge como uma maneira de ganhar dinheiro. “A Cocap não coleta sozinha. A crise está fazendo com que várias pessoas saiam na frente da cooperativa para pegar tudo o que se pode vender. Assim, estamos coletando o que sobra nas lixeiras. Muitos estão desempregados e a venda de recicláveis é uma fonte de renda”.
Por mês são recolhidos 350 toneladas de lixo reciclável, aproximadamente 13 mil quilos por dia. “A meta é coletar tudo que a população separar que deve estar na faixa de 600 toneladas por mês”, acrescenta Itamar. De acordo com a Cocap, Apucarana produz uma média de 90 toneladas de lixo por dia (cerca de 2,7 mil toneladas mês). Deste total 30% (27 mil quilos) é material reciclável.