A recessão econômica aliada à crise energética e o consequente aumento na conta de luz mudou o perfil dos consumidores de energia elétrica, que aprenderam a economizar. Balanço divulgado semana passada pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), aponta que o consumo residencial médio do Vale do Ivaí fechou 2016 em 124 KWh por mês. A média é 6% menor que a registrada em 2014, quando crise econômica se instalou.
Em todo Estado, a queda de consumo foi de 9,45% no período. Contudo, a média de consumo residencial estadual é maior que a regional, fechando 2016 em 161,9 KWh por mês. Em comparação 2014, o consumo médio era de 178,8 KWh por mês.
De acordo com o gerente de serviços da Copel, Aparecido Alberto Tomazeli, vários fatores influenciaram para essa redução abrupta, que quebrou um ciclo de aumento de demanda enérgica.
O primeiro fator foi a própria economia brasileira, que nos anos anteriores a 2014 era cresceu com forte apelo financeiro e a possibilidade das pessoas adquirirem muitos equipamentos para suas residências, notadamente produtos da linha branca e eletrônicos. “Isso fez com que o consumo crescesse”, relata Tomazeli.
Porém com a falta de água nos reservatórios em 2014 e a crise financeira que se iniciava, muitas usinas térmicas foram acionadas. O baixo índice dos reservatórios levou a adoção da política das bandeiras tarifárias, que perduraram por quase todo o ano de 2015, encarecendo a energia. A alta foi um dos fatores que puxaram a inflação de 2015, que fechou com índice de 10,67%,
“Com isso, entraram em vigor as bandeiras e ficamos um período muito grande em 2015 com as bandeiras vermelhas. Tudo isso levou a população a ter uma consciência de utilização mais correta da energia, o que reflete no consumo atual”, assinala Tomazeli.
A professora de Ivaiporã, Adriana Silva Rosa é exemplo típico de consumidor que aprendeu a readequar a utilização da energia elétrica em casa. O consumo médio da residência dela, que era de 206 KWh em janeiro de 2015, caiu para 123 KWv em janeiro deste ano, um redução de 40%. “Fico muito feliz com essa economia, não só pela questão financeira, mas por estar contribuindo também com a manutenção do meio ambiente”, acredita.
Para que houvesse essa queda no consumo, a família de Adriana, que é composta por quatro pessoas, adquiriu novos hábitos. Luz do ambiente fica ligada somente quando houver pessoa no local, os banhos no verão passaram a ser com água fria, dentre outros. Neste período, a família também investiu para ver a conta cair. Eles trocaram as lâmpadas convencionais por led e substituíram a geladeira velha e o freezer, por um modelo mais novo, que consome menos energia.
“Foram pequenas medidas de economia que pouco influenciaram na vida da nossa família. Mas que com o tempo mostraram ser muito positiva para todos”, enfatiza Adriana.